Segurança pública5 min de leitura

Conheça a história do guerrilheiro comunista conhecido como mentor de Marcola

Maurício Hernández Norambuena ensinou o PCC táricas de terrorismo e reformulou a estrutura da organização.

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Maurício Norambuena sendo preso, terrorista comunista influenciou gestão de Marcola no PCC.
Fonte da imagem: Gazeta do Povo

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O PCC é a facção criminosa mais poderosa do Brasil, apenas na Operação Carbono Oculto foram descobertos mais de R$30 bilhões do grupo.

A Justiça aponta que Marcos Herbas Willians Camacho, mais conhecido como Marcola, é o nome mais poderoso e respeitado dentro da organização.

Ele cumpre penas que somam mais de 300 anos e está detido na Penitenciária Federal de Brasília, uma das mais seguras no país.

Preso desde 1999, Marcola já passou por 19 presídios estaduais até a ida ao sistema federal.

Um dos nomes que tiveram grande influência na forma como Marcola lidera a facção é o chileno Maurício Hernández Norambuena, conhecido como “Capitão Ramiro”. 

Quem é Maurício Hernández Norambuena?

Ex-militante do Partido Comunista do Chile e integrante da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR), Norambuena pegou em armas contra o regime de Pinochet

Em 1986, esteve envolvido em um atentado contra o general. Seu grupo cercou uma caravana a caminho de Cajon del Maipo e atirou contra o carro do presidente, que conseguiu escapar.

Foto de Pinochet após o atentado em frente a seu carro. Imagem: YouTube.

Norambuera foi condenado à prisão perpétua no Chile pelo assassinato do senador Jaime Guzmán e pelo sequestro de Cristián Edwards, herdeiro do El Mercurio

No entanto, ele deixou o presídio em 1996, a bordo de um cesto de pano amarrado a uma corda içada de um helicóptero que sobrevoava as instalações.

Helicóptero apreendido após ação. Imagem: Resumem

Após a fuga, Norambuena veio ao Brasil, onde liderou o sequestro do publicitário Washington Olivetto, em 2001.

O sequestro de Washington Olivetto

O empresário foi sequestrado durante uma falsa blitz e foi mantido em cativeiro por 53 dias enquanto os criminosos cobravam R$10 milhões em resgate.

Em fevereiro de 2002, o dono da chácara em que Olivetto estava sendo mantido refém desconfiou e entrou em contato com a polícia.

Norabuena foi detido pelas autoridades e cooperou, indicando o local do cativeiro e possibilitando o resgate do publicitário.

Norambuena e Marcola se conheceram na prisão

O guerrilheiro foi preso na penitenciária de Presidente Bernardes, sob Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

Nesse regime, o preso fica sozinho na cela 22 horas por dia e tem direito a duas horas de banho de sol.

Apesar das regras rígidas, ele conseguiu estabelecer contato e criar uma amizade com Marcola.

A influência do terrorista no PCC

A convivência entre os dois teria mudado a estrutura do PCC, que adotou uma forma de organização mais descentralizada.

Com isso, as sintonias, núcleos especializados em funções específicas, passaram a ter mais autonomia e independência para agir.

A Sintonia Geral Final é a última instância da facção, responsável pelas decisões mais importantes, porém outros grupos se dedicam a atividades específicas.

Norambuena também ensinou algumas táticas de terrorismo para a facção. Segundo o Ministério Público de SP, ele teria incentivado o grupo a atacar agências bancárias para “desestabilizar a ordem financeira”.

Um dos conselhos dele era que os atentados acontecessem após o expediente, para não ferir funcionários e causar a antipatia do povo. Esses métodos foram aplicados pelo PCC durante os ataques de 2006.

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Tentativa de fuga

Em 2005, o governo de São Paulo impediu uma tentativa de fuga do presídio, que libertaria Marcola, Norambuena e Fernandinho Beira-Mar.

O plano foi estimado em mais de R$100 milhões e envolvia mercenários estrangeiros, dois helicópteros de guerra, lança-mísseis e metralhadoras.

Na época, a Justiça chegou a parar o aeroporto de Presidente Bernardes por medo de que o plano fosse posto em prática:

"Há enorme preocupação com o aeroporto municipal, pois [fica] muito próximo ao estabelecimento prisional, permitindo logística para atuação de referida organização criminosa", estava escrito no despacho do juíz que determinou a interdição.

A extradição de Norabuena para o Chile

O STF autorizou a extradição de Norambuena em 2004, porém o Chile deveria mudar a pena para que o terrorista cumprisse apenas 30 anos, como determinado na lei brasileira.

O acordo só foi aceito pela Justiça chilena após anos de negociação, em 2019. O então presidente Bolsonaro chegou a comemorar a ação em seu X:

É nossa política cooperar com outros países e não abrigar criminosos ou terroristas. Hoje, depois de superar as questões burocráticas entre Brasil e Chile, estamos extraditando Norambuena, sequestrador do publicitário Washington Olivetto em 2001”.

A Brasil Paralelo investigou o poder das facções e as causas para a crise de segurança no país.

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