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Marcola é um dos criminosos mais poderosos e temidos na história do Brasil. Apontado pelas autoridades como o principal líder do PCC, ele cumpre uma pena de 342 anos.
Atualmente ele está no Presídio Federal de Brasília, uma das prisões de segurança máxima mais bem guardadas no país.
Presídio Federal de Brasília. Imagem: Portal Gov.
Investigações da Polícia Federal apontam que o PCC havia elaborado três planos de fuga para o traficante em 2022.
O primeiro foi apelidado de STF e se baseava em uma invasão ao presídio.
O segundo recebeu o nome de STJ e se baseava em sequestrar autoridades do sistema carcerário.
O último, chamado de “suicida”, envolvia uma série de rebeliões.
Isso mostra a importância de Marcola para a facção. Conheça a história do traficante e descubra como um órfão se tornou líder da facção.
Marcola cresceu nas ruas de São Paulo
Marcos Herbas Willians Camacho era filho de um boliviano que nunca conheceu e uma brasileira.
Aos 9 anos perdeu a mãe em um afogamento e passou a viver junto com seu irmão na casa de uma tia.
Cinco anos depois, os dois fugiram de casa e passaram a viver nas ruas da capital Paulista, em especial na Praça da Sé.
Marcola recebeu o apelido por cheirar cola de sapateiro
Nessa idade cheirava cola de sapateiro, daí o apelido Marcola, que vem de Marcos cheira cola. Ele cometia pequenos crimes, como roubos e furtos.
Ele chegou a ser preso na FEBEM, onde conheceria Cesinha, um dos futuros fundadores do PCC.
Assaltos a bancos o levaram ao topo na hierarquia do crime
Durante a década de 1980, Marcola se tornou assaltante de banco. Na época, os criminosos que atuavam com esse tipo de operação contavam com um status elevado no mundo do crime.
Com seu estilo vaidoso, usando roupas de marca, carros importados e cabelo sempre arrumado, ganhou apelidos como "playboy" e "bonitão" nos presídios por onde passou.
Foto do fichamento de Marcola em 1999. Imagem: Reprodução.
Os assaltos fizeram com que ele fosse preso em diversas instalações, incluindo o Carandiru e a Casa de Detenção de Taubaté, onde o PCC surgiu.
PCC surgiu como time de futebol dentro dos presídios
Em 1993, detentos de São Paulo criaram um time de futebol. O objetivo era aproveitar um jogo de futebol para matar criminosos do interior que cumpriam pena no mesmo presídio.
O time logo se transformou em uma espécie de sindicato do crime, criando regras para os detentos e organizando a luta por melhores condições para os detentos.
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Marcola não estava entre os fundadores do PCC, mas ascendeu rapidamente
Marcola não estava entre os fundadores da organização, mas logo se tornou um importante líder da facção.
Enquanto os líderes como Geleião e Cesinha mantinham o comando através do medo, Marcola ganhava poder através de articulação e convencimento.
Sua ascensão fez com que os fundadores ordenassem o assassinato de sua esposa, a advogada Ana Maria Olivato. Após a execução, Marcola conseguiu apoio de outros líderes para expulsar os fundadores e tomar o controle da facção:
“Eu tive um problema com esses presos que eram os líderes do PCC. Eles assassinaram a minha esposa e tentaram me matar. Eu declarei uma guerra contra eles. O sistema penitenciário, cansado de ser oprimido por eles, acabou os repudiando. Eu passei a ser visto pelo sistema penitenciário como líder do PCC,” contou em um depoimento.
Sintonias: como Marcola reestruturou o crime no Brasil
Diferentemente dos fundadores, Marcola dividiu o poder entre “sintonias”, grupos dedicados a atuarem em setores específicos.
As Sintonias funcionam como uma engrenagem complexa, operadas por membros escolhidos de acordo com seu histórico. Entre as principais divisões estão:
Sintonia Final (Cúpula): decide as diretrizes gerais;
Sintonia Restrita: inteligência e contraespionagem;
Sintonia Geral dos Presídios: controla comunicação e disciplina nas cadeias;
Sintonia do Progresso: gerencia finanças e o caixa central;
Sintonia dos Gravatas: advogados e contatos externos;
Sintonia do Exterior: administra as rotas internacionais;
Sintonia Final da Rua: coordena operações por região;
Quadro dos 14: tribunal interno que julga e executa punições.
Cada estado brasileiro possui ainda sua própria "Sintonia Estadual", replicando a lógica da direção nacional em nível local.
Os ataques de 2006
Em 2006 a facção voltou a chamar a atenção do país após uma onda de ataques que paralisaram a capital paulista.
Tudo começou quando diversos líderes das facções foram transferidos para a segurança máxima no dia das mães, entre eles estava Marcola.
Em resposta, a facção começou a fazer rebeliões em 74 presídios. Pouco depois, a alta cúpula mandou um “salve geral”, ordens para os membros fora das grades cometerem diversos atentados.
Delegacias sofreram ataques com tiros e bombas caseiras e ônibus foram queimados. A polícia reagiu e a cidade viveu um toque de recolher informal.
Os ataques fizeram com que Marcola fosse condenado a mais uma pena de 61 anos atrás das grades.
Um ano após o ocorrido, Marcola foi transferido para o sistema prisional, mais seguro do que o estadual, de onde não saiu.
Racha no PCC: Marcola perdeu poder na facção?
A liderança de Marcola vem sendo contestada em meio a um racha na alta cúpula da facção, que começou no ano passado.
Outro líder da facção conhecido como Tiriça estava sendo investigado por atentado contra agente do sistema carcerário.
Os promotores utilizaram como prova um áudio no qual Marcola chamou o colega de psicopata enquanto conversava com um policial penal:
“Eu sou um cara perigoso, mas não no sentido que vocês imaginam, de violência gratuita. Porém eu poderia me tornar um psicopata desses, igual o Soriano [Tiriça]”.
A fala alimentou boatos de que Marcola seria um delator, o que fez com que membros importantes da facção darem uma ordem para a expulsão dele.
No entanto, Marcola reverteu o cenário e conseguiu fazer com que seus opositores fossem expulsos da organização.
Apesar da intriga, o PCC segue como a maior e mais poderosa organização criminosa do Brasil.
A segurança pública vive um grave problema no país. A Brasil Paralelo produziu o principal documentário sobre o assunto, chamado Entre Lobos.
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