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Crime
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Fim do voto de presos e do Auxílio-reclusão: veja o que mudou no Projeto de Lei para combater o crime

Câmara reverteu decisão do Senado e projeto de lei será mais rígido.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
25/2/2026 17:35
Agência Brasil

A Câmara derrubou mudanças que o Senado tinha feito e aprovou o Marco Legal Contra o Crime Organizado.

Quando um projeto é aprovado pela Câmara e alterado pelo Senado, ele retorna à Casa de origem para nova análise

O relator do projeto, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), apresentou parecer para recompor o texto original

Segundo ele, as modificações do Senado traziam retrocessos e poderiam enfraquecer instrumentos de combate às organizações criminosas.

A questão foi votada e os deputados derrubaram a maior parte das alterações promovidas pelos senadores, trazendo de volta uma versão mais dura do texto. 

Agora, o projeto segue para a aprovação de Lula. Caso seja vetado, o Congresso poderá votar para reverter a decisão do presidente.

Veja abaixo o que a Câmara mudou após a votação de ontem.

O que muda com o texto aprovado?

Presos não poderão votar

Um dos trechos mais sensíveis incluídos pela Câmara altera o Código Eleitoral para proibir que presos votem.

Atualmente, a Constituição determina que apenas cidadãos condenados com sentença transitada em julgado perdem os direitos políticos

Esse dispositivo havia sido retirado pelo Senado já que a limitação ao direito de voto só poderia ser feita por meio de PEC e não por projeto de lei.

Fim do Auxílio-reclusão

Além disso, o texto acaba com o auxílio-reclusão para dependentes de membros de organização criminosa ultraviolenta.

O benefício é distribuído através do INSS e é pago para os dependentes de pessoas de baixa renda que estão presas.

Quando passou pelo Senado, o relator Alessandro Vieira (MDB-SE), suprimiu a medida.

Novo tipo penal: “domínio social estruturado”

A Câmara manteve a criação do crime de “domínio social estruturado”, com pena de 20 a 40 anos de prisão

Isso seria uma forma de enquadrar a forma como criminosos controlam regiões inteiras e criam Estados paralelos.

O favorecimento a esse domínio também se torna crime e pode resultar em reclusão de 12 a 20 anos

O Senado havia substituído essa terminologia por uma pena genérica para “facção criminosa”, reduzindo as penas.

Definição de organização criminosa ultraviolenta

O texto final define como organização criminosa ultraviolenta o agrupamento de três ou mais pessoas que utiliza violência, grave ameaça ou coação para:

  • impor controle territorial ou social;
  • intimidar populações ou atacar serviços;
  • infraestrutura essenciais.

A inclusão da milícia privada como forma especial de organização criminosa também foi mantida.

Aumento de penas

O projeto endurece penas para crimes cometidos por integrantes de organizações criminosas, como:

  • sequestro e cárcere privado (12 a 20 anos);
  • lesão corporal seguida de morte (20 a 40 anos);
  • latrocínio (20 a 40 anos).

Em alguns casos, as penas podem ser ampliadas se o autor for líder da organização ou se houver conexão transnacional.

Perda de bens

A Câmara também manteve a possibilidade do juiz decretar o perdimento extraordinário de bens antes da condenação, caso haja provas de patrimônio ilícito.

O Senado previa exigências adicionais, como manifestação do Ministério Público ou da autoridade policial.

Além disso, os senadores haviam determinado um prazo para comprovação da origem lícita dos bens, o que foi rejeitado.

Bets e financiamento da segurança

Um dos pontos mais debatidos foi a criação da chamada Cide-Bets, um tributo sobre apostas esportivas que deverá ser usado pela segurança pública.

Apesar do Senado ter aprovado essa proposta, a Câmara decidiu retirá-la do projeto para transformá-la em uma pauta independente.

Governo dividido

O projeto foi elaborado pelo Ministério da Justiça, no entanto, a versão final construída na Câmara foi alvo de críticas do próprio governo.

Na primeira fase de tramitação, o governo orientou contra o texto relatado por Derrite

Ainda assim, o PT manifestou “apoio crítico” na votação final, avaliando que a aprovação do texto atual evitaria uma versão considerada ainda mais radical.

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