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Como é a vida após a morte? Será que a eternidade é chata? Pastor responde citando C.S. Lewis

John Piper argumenta que uma transformação garantirá uma alegria perene.

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Cruz cristã representando a esperança de vida após a morte
Fonte da imagem: Aventuras na História

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A ideia de eternidade, de um tempo sem fim no Céu, fascina e ao mesmo tempo perturba a mente humana

Como seria possível viver para sempre sem, eventualmente, cair no mais profundo tédio? Essa foi a questão levantada por um ouvinte chamado Mason no podcast Ask Pastor John, do respeitado teólogo e autor John Piper.

Mason conta que sente dificuldade para entender o conceito de infinito e diz que gostaria de entender como a vida após a morte não seria entediante: 

"Eu luto para processar algo sem fim; como não ficaremos entediados?", perguntou ele. 

John Piper, fundador do ministério Desiring God, admitiu a dificuldade da questão. Para ele, a eternidade é um conceito que desafia nossa compreensão:

"Está fora de questão que a eternidade — quer a concebamos como tempo sem começo ou fim, quer a concebamos como uma dimensão além do tempo, atemporalidade — é difícil de compreender. Quer dizer, eu nem sei o que 'compreender' significa quando se trata de algo assim."

No entanto, Piper argumenta que essa dificuldade não invalida a realidade eterna, pelo contrário. Ele cita o livro de Eclesiastes (3:11), onde o Rei Salomão escreveu:

"Deus fez tudo belo a seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim, ele não consegue compreender inteiramente a obra que Deus fez do começo ao fim."

Para Piper, este versículo indica que Deus intencionalmente "nos fez cientes de uma realidade de um tipo de tempo eterno ou não-tempo que não é totalmente compreensível"

Essa sensação de que há algo mais, algo que esta vida não satisfaz completamente, é uma pista. 

Piper recorre ao célebre escritor C.S. Lewis, autor de "As Crônicas de Nárnia", que afirmou em seu livro Cristianismo Puro e Simples:

"Se encontro em mim um desejo que nenhuma experiência neste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que fui feito para um outro mundo."  

Mas como seria essa eternidade para que o tédio não encontre espaço? Piper aponta que, embora misteriosa, a vida futura não é totalmente desconhecida. 

A Bíblia oferece vislumbres, como a descrição da Nova Jerusalém em Apocalipse 21:18 como uma cidade de "ouro puro, límpido como vidro". 

Mais crucial ainda, segundo ele, é a transformação que os próprios redimidos experimentarão, especialmente em seus corpos. Ele cita a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (15:42-44):

"Assim será com a ressurreição dos mortos. O corpo que é semeado é perecível e ressuscita imperecível; é semeado em desonra e ressuscita em glória; é semeado em fraqueza e ressuscita em poder; é semeado um corpo natural e ressuscita um corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual."  

É essa transformação radical que, segundo Piper, garante a ausência de tédio. Não seremos espíritos desencarnados, mas pessoas com corpos glorificados, feitos para a eternidade.

"Seremos pessoas com corpos, e ainda assim, com corpos de uma forma que é... incompreensivelmente diferente dos nossos corpos atuais. Você nunca esgotará a capacidade de ver a glória, de se maravilhar, de ser revigorado, de se emocionar para sempre."

Ele conclui que esses corpos ressurretos serão perfeitamente adequados para a experiência celestial:

"[Corpos] perfeitamente adequados para prazeres eternos, sobrenaturais, inimagináveis — [corpos] tão insondavelmente mais capazes de desfrutar do que você jamais poderia imaginar."

A dificuldade de imaginar a eternidade sem tédio, portanto, derivaria da nossa limitação atual

A promessa, segundo a interpretação de Piper, é de uma nova condição de existência, com capacidades renovadas e uma fonte infinita de alegria e maravilhamento na presença de Deus, tornando o enfado uma impossibilidade.

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