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China já tem 2 milhões de robôs nas fábricas e agora quer ensiná-los a pensar

País aposta na inteligência artificial para tornar máquinas cada vez mais autônomas e liderar uma nova revolução industrial.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Robos chineses
Fonte da imagem: Divulgação

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A China está preparando uma nova força de trabalho que não dorme, não tira férias e pode operar 24 horas por dia.

Mais de 2 milhões de robôs já trabalham nas fábricas chinesas. É a maior concentração do mundo.

Agora, o governo de Xi Jinping quer acelerar essa transformação. A China prepara um plano de cerca de R$102 bilhões para avançar em robótica e inteligência artificial.

O objetivo é colocar o país na liderança de uma nova revolução industrial.

Hoje, essas máquinas já soldam, pintam, transportam cargas e montam peças nas fábricas chinesas. Algumas estão sendo desenvolvidas para construir outros robôs.

O próximo passo é fazê-las executar tarefas cada vez mais complexas.

“Queremos que nosso novo robô seja como os seres humanos. Esperamos que ele consiga pensar por conta própria”, disse Pang Kai, engenheiro da CRP Technology.

A empresa fabrica braços robóticos capazes de executar mais de 90% das tarefas repetitivas para as quais são programados.

Por que a China tem tanta pressa?

A população chinesa está envelhecendo. Até 2035, mais de um terço dos habitantes terá mais de 60 anos. Algumas projeções indicam que o país pode perder quase 60 milhões de habitantes na próxima década.

Pequim aposta nos robôs para ocupar parte desse espaço. No entanto, existe outro problema.

Cerca de 120 milhões de pessoas ainda trabalham na indústria chinesa. Quanto mais rápido as máquinas avançarem, maior será a dúvida sobre o futuro desses trabalhadores.

Em algumas áreas, essa mudança já está acontecendo.

A fabricante de veículos elétricos Leapmotor afirma ter alcançado praticamente 100% de automação em etapas como estampagem, soldagem e pintura.

Ao mesmo tempo, a China prepara jovens para trabalhar com as novas máquinas. Escolas técnicas estão formando profissionais em inteligência artificial e robótica.

A disputa também é internacional.

Os Estados Unidos ainda lideram no desenvolvimento do “cérebro” dos robôs. A China tem uma vantagem diferente: consegue fabricar praticamente tudo o que forma o corpo dessas máquinas.

Motores, baterias, sensores e componentes eletrônicos estão disponíveis dentro de sua enorme cadeia industrial.

A próxima corrida tecnológica pode não ser apenas para criar a melhor inteligência artificial. Pode ser para descobrir quem conseguirá colocá-la dentro de milhões de máquinas.

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Quem controlará essa tecnologia?

Robôs e inteligência artificial podem aumentar a produção e facilitar tarefas que antes dependiam de pessoas.

Mas o avanço também traz uma pergunta maior: o que acontece quando entregamos cada vez mais funções humanas às máquinas?

A Brasil Paralelo foi atrás de especialistas do mundo todo para investigar essa transformação.

O resultado é Technocracia: O Algoritmo do Poder, documentário que investiga o avanço da inteligência artificial e o poder de quem controla essa tecnologia.

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