Uma pequena anotação na contracapa era a única pista sobre o conteúdo das 408 páginas escritas com dezenas de códigos.

Um livro guardado na Biblioteca do Vaticano passou mais de 400 anos escondendo seu conteúdo. Ninguém conseguia entender o que estava escrito.
O manuscrito tem 408 páginas e foi escrito com dezenas de códigos. Alguns símbolos representavam a mesma letra. Outros não significavam absolutamente nada. Estavam ali apenas para confundir quem tentasse decifrar o texto.
Uma pequena anotação na contracapa dava a única pista. O livro teria “remédios para males do corpo humano”. Agora, a inteligência artificial começou a revelar o restante.
Pesquisadores usaram o Transkribus, uma IA treinada para trabalhar com manuscritos. A ferramenta identificou padrões e transformou os símbolos em material que pudesse ser analisado.
O trabalho revelou receitas médicas escondidas há séculos. Entre elas estão orientações para beber vários copos de vinho tinto e fermentar noz-moscada contra a disenteria.
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O segredo pode ter uma explicação simples. No século XVII, conhecimentos sobre ervas e tratamentos poderiam levantar acusações de bruxaria. Escrever em código era uma forma de proteger o conteúdo e quem o produzia.
O manuscrito foi escrito em 1637 pelo nobre Sigismund Heusner von Wandersleben. O destinatário era Axel Oxenstierna, grão-chanceler da Suécia.
A Europa vivia a Guerra dos Trinta Anos.
Por isso, quebrar o código exigiu mais do que simplesmente trocar um símbolo por uma letra. A IA ajudou a encontrar padrões. Pesquisadores fizeram correções manuais e avançaram na interpretação.
A descoberta também abre uma porta muito maior.
Estima-se que cerca de 1% dos arquivos europeus ainda contenham documentos cifrados ou codificados.
Cartas, receitas e relatos podem continuar guardando informações desconhecidas sobre personagens e acontecimentos do passado. Durante séculos, o problema era o tempo. Decifrar códigos assim por tentativa e erro poderia levar décadas.
A IA começa a mudar essa conta. Um manuscrito conseguiu esconder seus segredos por 400 anos.
A inteligência artificial que ajudou a revelar os segredos de um manuscrito de 400 anos é a mesma tecnologia que já escreve textos, cria imagens e participa de decisões do nosso cotidiano.
No entanto, por trás de cada IA existem empresas e pessoas que criam os sistemas e definem seus limites. Quem são elas? O que pensam? E quanto poder estamos entregando aos algoritmos?
Para investigar essas perguntas, a Brasil Paralelo reuniu especialistas e percorreu centros de inovação pelo mundo.
O resultado é Technocracia: O Algoritmo do Poder.
O documentário investiga o paradoxo da inteligência artificial: a mesma tecnologia que facilita nossas vidas também pode nos mapear, influenciar e ampliar o poder de quem a controla.
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