O que era uma restauração virou alvoroço quando fiéis identificaram a primeira-ministra italiana no altar.

Imagine entrar em uma das basílicas mais antigas de Roma e dar de cara com o rosto da atual Primeira-Ministra da Itália pintado no teto. Foi o que aconteceu na Basílica de São Lourenço em Lucina
O que era para ser um reparo em infiltrações virou uma polêmica que, nesta quarta-feira (4), atraiu mais turistas em busca de "selfies" do que fiéis para a missa.
O restaurador Bruno Valentinetti, de 83 anos, inicialmente negou a inspiração; porém, posteriormente admitiu que a ideia veio de um sonho onde a própria Meloni pedia para ser pintada."
Além do rosto da primeira-ministra, o anjo foi retratado carregando um mapa da Itália e fazendo uma reverência a símbolos da monarquia.

O Vaticano ordenou uma investigação. O cardeal Baldassare Reina afirmou que imagens da tradição cristã não podem ser usadas de forma indevida ou exploradas politicamente.
O padre responsáve pela Igrejal cobriu o rosto com tinta branca para encerrar a confusão. Até Meloni comentou o caso com humor, afirmando que não se acha parecida com um anjo.
Essa prática de esconder rostos conhecidos em artes sacras é quase tão antiga quanto a própria Igreja. Séculos antes, Michelangelo já usava essa tática para se vingar, pintando um de seus críticos no inferno, com orelhas de burro, no teto da Capela Sistina.

Caravaggio também causou escândalo ao usar uma prostituta como modelo para a Virgem Maria, enquanto Dante Alighieri aproveitou a literatura para colocar o papa da época nos círculos do Inferno da sua Divina Comédia.

Ao esconder o rosto de uma figura pública em uma pintura sacra, o artista seguiu o mesmo rastro deixado por outros gênios da arte.
Para entender a profundidade dessas escolhas e como a beleza e a tradição moldam a nossa sociedade, a Brasil Paralelo produziu uma série que investiga a história por trás das formas.
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