Nicki Minaj apoia Trump e discursa contra perseguição religiosa na Nigéria
Autoridades nigerianas negam que exista perseguição no país e alegam que as declarações de Trump têm motivações econômicas.

A cantora Nicki Minaj chamou atenção do mundo ao aparecer na missão dos Estados Unidos na ONU para reforçar a denúncia de Trump sobre o assassinato sistemático de cristãos na Nigéria.
O governo nigeriano tem afirmado que as denúncias de perseguição religiosa no país são falsas.
O que aconteceu?
Na terça-feira (18), Minaj dividiu o palco com o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, durante um evento dedicado a amplificar o alerta de Trump.
De acordo com o presidente americano, se o governo nigeriano não impedir a morte de cristãos, haverá “consequências terríveis”.
O governo da Nigéria, liderado por Bola Tinubu, muçulmano cuja esposa é pastora cristã, voltou a negar que exista perseguição religiosa no país.
No discurso, Minaj afirmou:
“Liberdade religiosa significa que todos podemos cantar nossa fé, independentemente de quem sejamos. Igrejas foram incendiadas, famílias foram destruídas... simplesmente por causa da maneira como oram.”
A artista, que nas últimas semanas republicou mensagens de Trump sobre o assunto, disse ter sentido “profunda gratidão” ao ler as declarações do presidente nas redes sociais.
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Por que Nicki Minaj foi à ONU?
Celebridades como Angelina Jolie, BTS, George Clooney e Leonardo DiCaprio já usaram a ONU como palco para causas humanitárias.
Minaj seguiu o mesmo caminho, mas seu posicionamento gerou reações por estar alinhado a uma narrativa considerada enganosa por pesquisadores e autoridades nigerianas.
O governo nigeriano rebateu as alegações e afirmou que se tratam de “uma grosseira deturpação da realidade”.
De acordo com a rapper, sua posição busca promover unidade entre as pessoas.
“Não se trata de tomar partido ou dividir as pessoas… mas de unir a humanidade.”
O que está acontecendo com os cristãos na Nigéria?
A Nigéria vive hoje uma das piores crises de perseguição religiosa do mundo. De acordo com a ONG Portas Abertas, mais de 4.400 cristãos foram mortos somente em 2024, e o país já ocupa o 7º lugar no ranking global de violência contra cristãos.
Os ataques seguem um padrão brutal. Extremistas invadem vilarejos durante a noite, matando moradores enquanto dormem. Homens e meninos são frequentemente executados, numa tentativa de eliminar lideranças e impedir o crescimento de comunidades cristãs.
Já mulheres e meninas são sequestradas, estupradas, forçadas a casamentos e submetidas à escravidão sexual, de acordo com a Anistia Internacional.
O impacto vai além da violência direta:
- centenas de igrejas, casas e escolas foram destruídas;
- plantações e clínicas foram incendiadas;
- milhões de pessoas foram obrigadas a fugir, vivendo em acampamentos superlotados sob risco constante.
Em estados do Norte, onde vigora a lei islâmica da Sharia, cristãos relatam discriminação legal e social, sendo tratados como cidadãos de segunda classe.
O país mais letal para cristãos
Na Páscoa de 2025, ataques coordenados no estado de Plateau deixaram pelo menos 126 mortos. O governador local, Caleb Mutfwang, classificou a situação como “genocídio”.
Em Zike, durante o Domingo de Ramos, mais de 50 cristãos foram assassinados enquanto celebravam ou dormiam.
Quem está matando os cristãos?
A violência é atribuída principalmente a extremistas islâmicos. Entre os grupos mais ativos estão:
- milícias armadas do povo Fulani,
- o Boko Haram,
- e a facção ligada ao Estado Islâmico, ISWAP.
“Cristãos no norte e centro da Nigéria enfrentam violência extrema... já mataram milhares de fiéis e destruíram centenas de igrejas”, disse Ryan Brown, CEO da Open Doors US, à Fox News.
Pesquisadores como Dr. John Eibner (CSI) afirmam que a motivação mistura fundamentalismo religioso com disputa por terras férteis ocupadas por comunidades cristãs.
Conflitos entre pastores Fulani e agricultores cristãos servem como estopim e são explorados pelos extremistas para recrutar novos membros.
Governo incapaz de conter a escalada
De acordo com Nnamdi Obasi, do International Crisis Group, mesmo com aumento no orçamento militar, “não há resultados na prática”. Em entrevista ao Financial Times, ele alertou:
“A falta de ação está se acumulando. Estamos diante de situações explosivas.”
De acordo com o padre Atta Barkindo, de Abuja, o problema é a falha do governo em proteger os cristãos.
"Não acredito que o Governo queira matar cristãos. O que vemos é a falha em proteger os cidadãos. E como muitas vítimas são cristãs, isso alimenta essa ideia”.
Organizações como a Genocide Watch já acusaram governos anteriores de inércia, agravando a crise humanitária.
- Nigéria: o genocídio contra cristãos que ninguém está falando.
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