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5 países em que a democracia foi derrubada por quem prometeu defendê-la

Ditaduras ascenderam com o discurso de proteger a liberdade e garantir direitos.

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Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Protestos pedindo democracia em Bankok
Fonte da imagem: Jonathan Head/BBC

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Nem sempre a democracia é destruída de forma barulhenta, em vários casos ela foi desfeita por aqueles que falavam em seu nome.

A história recente da América Latina e do mundo é um alerta sobre como o discurso democrático pode ser instrumentalizado por quem busca o poder.

Conheça cinco casos em que políticos que juraram “defender a democracia” foram responsáveis por seu fim:

Venezuela

Eleição legislativa decide se projeto socialista de Chávez sai fortalecido  ou se oposição ... - Jornal O Globo
Hugo Chávez com o braço levantado durante protestos em seu apoio. Imagem: O Globo.

Um dos casos mais emblemáticos de um país que se tornou um regime autoritário de maneira silenciosa foi a Venezuela.

Em 1999, Hugo Chávez, um ex-militar que tentou um golpe de Estado sete anos antes, foi eleito presidente da Venezuela com a promessa de "refundar a República". 

Seu discurso populista, repleto de ataques à elite econômica e à corrupção política, conquistou parte da população. 

Um de seus primeiros atos foi reformar a Constituição e ampliar os poderes do Executivo

A nova Carta Magna de 1999 permitiu maior ingerência do presidente sobre o Judiciário e a economia.

  • Entenda como a Venezuela se tornou uma ditadura com o especial Venezuela: uma tragédia do século XXI. Assista abaixo:

Em 2002, uma tentativa de golpe de Estado quase derrubou Chávez. Por dois dias, esteve preso.

Contudo, o fracasso da rebelião militar reforçou sua narrativa de líder ameaçado pelas elites

Usando o golpe como pretexto, Chávez se radicalizou e fechou emissoras de TV críticas, estatizou empresas estrangeiras e criminalizou protestos

Seus discursos passaram a rotular opositores como traidores da pátria e agentes do “imperialismo”. 

Após sua morte, em 2013, o poder passou a Nicolás Maduro, seu herdeiro político que manteve o chavismo

Sob seu governo, a Venezuela viveu crises humanitárias severas, com inflação descontrolada, escassez de alimentos e milhões de refugiados fugindo do país. 

Mesmo assim, Maduro apresenta o regime como uma democracia. Na última eleição, o Conselho Eleitoral Nacional (CEN) afirmou que o presidente ganhou novamente apesar das denúncias de fraude.

Conheça a história do presidente venezuelano com o especial A Face Oculta de Nicolás Maduro. Assista completo abaixo:

Cuba

Fidel Castro e outros revolucionários nas ruas de Havana após a revolução
Fidel Castro e outros revolucionários nas ruas da capital Havana após a revolução. Imagem: Cultura XXI

Fidel Castro tomou o poder em Cuba após vencer o regime pró-americano de Fulgencio Batista em 1959.

Os guerrilheiros traziam promessas democráticas para o país, afirmando que haveria eleições livres em cerca de um ano

"Cuba terá eleições livres, disso não tenho dúvidas. Talvez em menos de 18 meses". Afirmou o líder da revolução em entrevista à BBC em 1959.

O jornalista Ed Sullivan chegou a dizer que Fidel seria o equivalente ao “George Washington” de Cuba.

No entanto, pouco após o sucesso da revolução, o governo começou a fuzilar pessoas ligadas ao regime anterior.

O regime instaurado também começou a nacionalizar e estatizar algumas propriedades privadas na ilha.

Além disso, o governo criou os Comitês de Defesa da Revolução para monitorar suspeitos de comportamentos “contra revolucionários”.

Em 1961 Fidel anunciou oficialmente que a revolução seguiria o caminho do socialismo após o fracasso de rebeldes anti-Castro na Baía dos Porcos.

A partir daí, a promessa inicial de eleições acabou e o Partido Comunista estabeleceu uma ditadura.

Dissidentes políticos foram presos, executados ou exilados e a liberdade de imprensa desapareceu.

No entanto, o ditador continuou defendendo que o país vivia na “verdadeira democracia do povo” e acusava o capitalismo de ser tirânico.

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Bolívia

Evo Morales assume comando da Bolívia
Evo Morales acenando para o povo de uma sacada. Imagem: Memorial da Democracia.

Evo Morales surgiu como símbolo da resistência indígena e se tornou o primeiro presidente de origem aimará da Bolívia

Seu discurso falava em devolver o poder às comunidades tradicionais e romper com o “legado colonial”

Nos primeiros anos, seu governo promoveu reformas agrárias e estatizou setores estratégicos da economia.

O presidente promulgou uma nova Constituição, escolhida através de um referendo popular.

Em 2016, ele perdeu um referendo que barrava sua reeleição indefinida, mas ignorou o resultado e apelou ao Tribunal Constitucional para disputar um quarto mandato em 2019

As eleições foram marcadas por denúncias de fraudes e de repressão a protestos populares. 

Ainda assim, Morales afirmava que "a democracia boliviana está mais forte do que nunca".

Protestos fizeram com que ele deixasse o país, em apoio o vice-presidente, o presidente do Senado e da Câmara dos Deputados também renunciaram.

Isso fez com que a vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, assumisse e convocasse novas eleições em 2020.

Luís Arce do partido Movimento ao Socialismo, o mesmo de Morales, venceu o plebiscito e virou presidente.

Em 2021 Jeanine Áñez foi presa sob acusação de “golpe de Estado”, terrorismo e conspiração.

Nicarágua

Ortega duarante uma manifestação ao lado de apoiadores
Daniel Ortega durante um evento com apoiadores. Imagem: El Mundo.

Na década de 1980 a Nicarágua passou por uma revolução que derrubou o regime da dinastia Somoza.

Daniel Ortega se tornou o líder do país após o sucesso do movimento e estabeleceu um regime socialista.

Parte da população pegou em armas contra o novo governo, dando início a uma sangrenta guerra civil

Os EUA apoiaram os grupos conhecidos como “contras”, opostos aos sandinistas, e a URSS apoiava as forças do governo.

Após negociações pela paz, Ortega deixou o poder e o país viveu um período mais democrático.

No entanto, o líder revolucionário voltaria após vencer uma eleição em 2007, se apresentando como mais moderado e conciliador.

Ele prometeu uma democracia participativa, buscou o apoio da Igreja Católica e de empresários.

Com o tempo, Ortega começou um processo para concentrar o poder, mudando a Constituição para permitir reeleições indefinidas, estatizando propriedades e ampliando o controle sobre a Justiça. 

Desde 2018, a repressão se intensificou e protestos contra seu governo foram sufocados com mortes, prisões arbitrárias e censura total à imprensa

Seus discursos justificam as medidas como necessárias para preservar a "democracia do povo e para o povo". Na prática, a Nicarágua se transformou em uma ditadura.

Conheça a história de Daniel Ortega e da ditadura na Nicarágua com o documentário original Nicarágua: Liberdade Exilada.

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Egito

El-Sisi toma posse como presidente do Egito
El-Sisi tomando posse como presidente do Egito. Imagem: Gazeta do Povo.

Em 2011, grandes protestos populares conseguiram derrubar o general Hosni Mubarak após 30 anos de ditadura.

A Irmandade Muçulmana, um grupo radical islâmico, conseguiu eleger Mohamed Morsi como presidente do país nas primeiras eleições livres na história do país, em 2012.

O governo Morsi tentou mudar a Constituição do Egito em um projeto apoiado por setores mais religiosos da sociedade.

O governo passou a enfrentar uma série de protestos e polarização, que acabaram com a derrubada do presidente.

Liderado pelo general Abdul Fatah al-Sisi, o golpe de Estado foi justificado como a única forma de defender o Estado da Irmandade Muçulmana e do extremismo.

Sob seu comando, o Egito assistiu ao retorno da repressão em massa. Milhares de opositores foram presos, partidos banidos e a imprensa submetida ao controle militar

Mesmo assim, al-Sisi se apresenta como guardião da democracia. Segundo ele, o país precisa de estabilidade e ordem antes da plena liberdade

Desde então ele foi reeleito em pleitos marcados por fraudes e segue sustentando que sua gestão protege a vontade popular.

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