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História•5 min de leitura

Quem foi Joaquim Nabuco? Um dos principais nomes da luta pelo fim da escravidão no Brasil

Entenda como a luta contra a escravidão, a defesa da monarquia e a diplomacia se cruzaram em uma das trajetórias mais marcantes do Império.

Por
Gabriel Costa
•Publicado em
Joaquim Nabuco
Fonte da imagem: Reprodução

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Ainda criança, Joaquim Nabuco viu um escravo se ajoelhar diante dele. Segundo recordaria anos depois, aquele homem havia fugido de outro proprietário e queria que a família do garoto o comprasse.

Não para continuar escravo. Ele esperava escapar dos maus-tratos que sofria.

Nabuco tinha cerca de sete anos.

Décadas depois, aquele menino se tornou deputado, escritor, diplomata e uma das principais vozes do abolicionismo brasileiro.

Sua história, porém, tem uma contradição que ajuda a entender o próprio Brasil do século XIX.

Joaquim Nabuco nasceu dentro da elite do Império e cresceu em um engenho marcado pela escravidão. Depois, combateu o sistema escravista, permaneceu fiel à monarquia após sua queda e terminou a vida representando a República no exterior.

  • A história do Brasil também foi escrita por homens que enfrentaram os grandes problemas de seu tempo. Nabuco foi um deles. Conheça outros nomes na coleção Brasil: A Última Cruzada.

Quem foi Joaquim Nabuco?

Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo nasceu no Recife, em 19 de agosto de 1849.

Seu pai, José Tomás Nabuco de Araújo, foi senador do Império e sua família pertencia à elite política e social da época.

Ainda bebê, Joaquim permaneceu em Pernambuco enquanto seus pais foram para o Rio de Janeiro. Foi criado pelos padrinhos e passou os primeiros oito anos cercado pela realidade da escravidão. 

Estudou no Rio de Janeiro e ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo. Mas só terminou o curso no Recife em 1870.

Antes mesmo de se formar, deu uma demonstração das ideias que levaria para a política.

Isso porque, em 1869, defendeu no tribunal um homem escravizado acusado de matar o próprio senhor. O réu escapou da pena de morte e recebeu prisão perpétua.

O tema da escravidão começou a se tornar seu projeto político.

  • Nabuco ajudou a transformar uma das maiores questões do Império em uma causa nacional. Descubra outras histórias decisivas do país em Brasil: A Última Cruzada.

A jornada de Nabuco para conseguir libertar os escravos

Nabuco entrou para a Câmara dos Deputados em 1878 e colocou a abolição da escravidão no centro de sua atuação.

Defendeu o fim imediato do regime, criticou medidas que apenas adiavam a emancipação e se tornou uma das principais vozes da causa.

Mas sua campanha não ficou dentro do Parlamento.

Em 1880, ajudou a organizar a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão. Também participou da imprensa e buscou apoio fora do país.

Em Londres, escreveu sua obra política mais conhecida, O Abolicionismo.

O livro ia além da defesa jurídica da liberdade. Nabuco entendia que a escravidão havia moldado a economia, a política e a própria sociedade brasileira.

Por isso, acabar com a propriedade de pessoas era apenas o primeiro passo.

Para ele, o Brasil ainda teria de enfrentar as consequências deixadas por séculos de trabalho escravo.

Seu trabalho na Europa continuou e o que começou em Londres chegou ao Vaticano.

A campanha chegou até o papa

Em fevereiro de 1888, Nabuco conseguiu uma audiência com o papa Leão XIII.

O objetivo era apresentar ao papa a situação brasileira e buscar um posicionamento da Igreja contra o regime escravista.

Poucos meses depois, Leão XIII publicou a carta In Plurimis, condenando a escravidão sob uma perspectiva cristã. O documento saiu em 5 de maio daquele ano.

Oito dias depois, em 13 de maio, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea.

Nabuco apoiou o gabinete de João Alfredo no processo de aprovação da abolição, mesmo sendo um governo conservador. Naquele momento, a causa pesava mais do que a divisão partidária.

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Nabuco após a queda da monarquia

A abolição venceu em 1888, mas Nabuco não considerava o trabalho encerrado. Ele acreditava que o fim da escravidão precisava ser seguido por novas reformas.

Ao lado de nomes como André Rebouças, via na continuidade da monarquia uma possibilidade de ampliar direitos e melhorar as condições dos antigos escravizados.

Mas a monarquia não teve tempo para esse projeto. Em 15 de novembro de 1889, a República foi proclamada.

Nabuco permaneceu monarquista. Recusou participar da Assembleia Constituinte do novo regime e se afastou da política.

Foi nesse período que voltou sua atenção para os livros.

Aproximou-se de escritores como Machado de Assis, José Veríssimo e Lúcio de Mendonça e participou da criação da Academia Brasileira de Letras.

Também escreveu algumas de suas obras mais importantes. Em Minha Formação, revisitou a própria infância e as experiências que moldaram sua visão sobre a escravidão.

Em Um Estadista do Império, partiu da trajetória do pai para contar também a história política do Brasil imperial.

Atuação de Nabuco durante a república

Parecia o encerramento de sua vida pública. Não foi.

Anos depois, a própria República que Nabuco havia recusado o chamou de volta. Em 1899, ele aceitou representar o Brasil em uma disputa territorial com a Inglaterra pela fronteira da Guiana Inglesa.

Posteriormente, assumiu uma missão ainda maior. Em 1905, tornou-se embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

O monarquista passou a representar oficialmente a República.

Em Washington, aproximou o Brasil do governo de Theodore Roosevelt e percorreu os estados apresentando o país aos norte-americanos.

E foi assim que sua trajetória terminou.

Joaquim Nabuco morreu em 17 de janeiro de 1910, aos 60 anos, ainda no posto de embaixador. Seu corpo foi levado de volta ao Brasil em um cruzador norte-americano.

Ele viveu em um Brasil que mudou profundamente em poucas décadas. Sua trajetória ajuda a entender como essas mudanças aconteceram e quem foram os personagens que disputaram os rumos do país.

Mas essa é apenas uma parte dessa história.

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