Terrenos usados como garantia do negócio
A investigação descobriu que terrenos do ex-atleta foram usados como "lastro", ou seja, como garantia, para uma operação que movimentou milhões de reais no mercado.
Para entender como o esquema funcionava, é preciso conhecer o Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI).
Esse título funciona como uma promessa de pagamento: uma empresa recebe dinheiro hoje de investidores e promete devolvê-lo com juros usando o lucro de aluguéis ou vendas de imóveis que acontecerão no futuro.
No caso investigado, a empresa Base Securitizadora emitiu R$330 milhões nesses papéis, prometendo ganhos sobre empreendimentos nos terrenos de Ronaldinho.
O problema central identificado pelos órgãos de fiscalização é que as obras eram inexistentes. O negócio entre o jogador e as construtoras jamais avançou por problemas com a prefeitura e falta de licenças.
Mesmo assim, os títulos continuaram circulando como se os terrenos estivessem gerando valor real. Segundo a defesa de Ronaldinho, ele nunca soube que suas propriedades estavam sendo usadas para garantir créditos financeiros.
A investigação aponta que o dinheiro captado não era investido em construção, mas seguia um "circuito fechado". O valor saía do banco, passava por empresas intermediárias e voltava para fundos controlados pelo próprio Banco Master ou pela gestora Reag.
De acordo com a reportagem do O Globo, essa manobra servia para registrar ativos nos balanços e passar uma imagem de solidez aos órgãos reguladores, escondendo a falta de dinheiro real em caixa.
O Banco Master quanto a Reag foram liquidados pelo Banco Central devido à falta de dinheiro para arcar com seus compromissos.
O montante total de títulos sob suspeita chega a R$1 bilhão, e o processo corre sob supervisão do ministro do STF, Dias Toffoli.
Este é mais um episódio do caso que está abalando o país. No dia 23/02, às 20h, a Brasil Paralelo estreará sua nova podução: Raio-X Banco Master.
A exibição será única e gratuita no YouTube.
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