Pronunciamento do senador expõe estratégia da direita e movimenta cenários das pesquisas.

Durante uma coletiva de imprensa, o senador Flávio Bolsonaro disse que tem “um preço” para não concorrer à presidência da República com apoio de seu pai.
No dia seguinte, Flávio concedeu uma entrevista para a Record, na qual anunciou pelo que trocaria por sua candidatura.
Em suas palavras, a candidatura só será abandonada caso aconteça a libertação de seu pai:
“O meu preço é justiça. O meu preço é justiça. E não é só justiça comigo. É justiça com quase 60 milhões de brasileiros que foram sequestrados, estão dentro de um cativeiro nesse momento junto com o presidente Jair Messias Bolsonaro.”
Jair Bolsonaro está preso na superintendência da Polícia Federal em Brasília desde o dia 22 de novembro.
Na ocasião ele havia danificado a tornozeleira eletrônica no mesmo dia que ocorreria uma vigília em frente a sua casa.
Flávio seguiu afirmando que outra condição para deixar a candidatura à presidência seria que seu pai concorresse em 2026:
“A única forma de isso [abandonar a candidatura] acontecer é se Bolsonaro estiver livre, nas urnas, caminhando junto com os seus netos, os filhos de Eduardo Bolsonaro, pelas ruas de todo o Brasil. Esse é o meu preço”.
O senador também disse que sua candidatura foi bem pensada e não há possibilidade de abandoná-la:
“Então, óbvio que não tem volta. A minha pré-candidatura à Presidência da República é muito consciente. Ela é para representar grande parte da população brasileira que não aceita mais essa quantidade de enormes desmandos.”
O levantamento coloca Flávio com 39,2% das intenções de voto, enquanto o petista mantém 39,8%.
Considerando apenas os votos válidos, o petista teria uma vantagem de 50,4% contra 49,6% para o senador, o resultado representa um empate dentro da margem e erro de 2 pontos percentuais.
Apesar deste resultado, o filho de Bolsonaro não seria o principal nome no espectro da direita para concorrer à presidência.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparece à frente de Lula em uma distância maior que a margem de erro.
Tarcísio conta com 44,9% das intenções contra 40,3% para o presidente, o que significa 52,7% dos votos válidos para o governador, contra 47,3% para o petista.
Foram entrevistados 2.519 eleitores entre os dias 6 e 7 de dezembro. A pesquisa apresenta uma confiança de 95%.
Uma pesquisa do Datafolha coloca Lula à frente de Flávio com uma larga vantagem em um eventual segundo turno.
Segundo o levantamento, Lula contaria com 51% das intenções de voto e Flávio conta com apenas 36%. A diferença é de 15 pontos percentuais.
O presidente também venceria Tarcísio, porém a margem aparece reduzida. O governador aparece com 42% das intenções, enquanto Lula leva 47%. Uma diferença de 5 pontos percentuais.
Segundo o Datafolha, Flávio teria menos apoio que Michelle Bolsonaro, que contaria com 39% das intenções de voto.
A pesquisa entrevistou 2002 pessoas entre os dias 2 e 4 de dezembro e a margem de erro é de dois pontos percentuais.
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