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Mundo•5 min de leitura

Partido de Netanyahu acusa Catar de interferência nas eleições israelenses

Primeiro-ministro já tinha dito que partidos árabes manipularam o resultado.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Eleitor deposita cédula em urna nas eleições de Israel
Fonte da imagem: Jerusalem Post

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22h
57m
08s

Com 94% das urnas apuradas em Israel, a coalizão de Netanyahu, encabeçada por seu partido Likud, conseguiu 54 cadeiras, sem conseguir as 61 necessárias para formar maioria.

Enquanto isso, as coligações de partidos árabes fizeram uma votação histórica, com 19 cadeiras no parlamento.

Ontem, Netanyahu acusou essas siglas de cometerem crimes eleitorais. Agora, seu partido afirma que o resultado pode ter sido influenciado por países estrangeiros.

O presidente da Comissão Eleitoral Central (CEC) de Israel, juiz Noam Sohlberg, pediu à agência de inteligência interna, o Shin Bet, uma investigação sobre denúncias de “ingerência estrangeira”:

“Embora não possa atestar a veracidade dessas suspeitas, considero que, uma vez que envolvem entidades estrangeiras, há a obrigação de investigá-las a fundo”, afirmou à EFE.

Segundo o jornal israelense Haaretz, as principais denúncias incluem acusações de que recursos do Catar teriam sido usados para manipular a disputa.

O principal objetivo era assegurar um aumento na participação da comunidade árabe na disputa.

Netanyahu chegou a falar no uso de softwares irregulares para a campanha e até mesmo em envelopes com dinheiro sendo distribuídos para eleitores:

“O Partido Likud está enviando à polícia, ao Shin Bet e ao Comitê Central Eleitoral centenas de testemunhos e evidências de roubo de eleições em muitas seções eleitorais árabes — milhares de envelopes com dinheiro em espécie e votos da Ra'am, ameaças e violência contra membros das seções eleitorais, múltiplos eleitores atrás do biombo, votações em dupla identidade, discrepâncias entre o número de envelopes e o número de eleitores, uso de softwares de mobilização proibidos e mais.”

  • Entenda o conflito entre árabes e israelenses com o documentário From The River To The Sea. Assista completo abaixo:

Quais os resultados das eleições?

Com 94% dos votos apurados, a coligação governista conseguiu 54 cadeiras no parlamento. Para governar, são necessárias ao menos 61.

Enquanto isso, a oposição liderada pelo ex-comandante das Forças Armadas, Gadi Eisenkot, conseguiu 48 cadeiras.

A eleição foi marcada pelo crescimento dos partidos árabes, que somaram 19 cadeiras.

Yussef Jabareen, líder da Lista Unificada, que reúne três siglas árabes, ofereceu seu apoio à oposição:

“Quem quiser oferecer uma alternativa real e autêntica ao governo de Netanyahu, cujas mãos estão manchadas de sangue, deve nos procurar e abrir caminho para a mudança”.

No entanto, Netanyahu e Eisenkot afirmam que não vão governar com partidos árabes, que representam cerca de um quinto da população.

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O fim de uma era?

Caso o Likud seja derrotado por uma aliança da oposição, o país voltará a ter um governo sem o primeiro-ministro que mais tempo ficou no cargo em sua história.

Netanyahu chegou ao poder pela primeira vez em 1996 e deixou o cargo em 1999. Voltou em 2009 e ficou até 2021, quando foi derrotado por uma coalizão de partidos com visões diferentes, unidos sobretudo pela oposição a ele. O governo não se sustentou, e Netanyahu retornou ao poder no fim de 2022.

Conheça a trajetória de Netanyahu com o especial da Brasil Paralelo. Assista completo abaixo:

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