Netanyahu e general da oposição falam em vitória nas eleições de Israel
Bloco governista conseguiu o maior número de assentos, mas não formou a maioria.

Os israelenses foram às urnas nesta terça-feira (27) na primeira eleição nacional desde o atentado de 7 de outubro de 2023.
Com 85% dos votos apurados, a coligação governista conseguiu 53 cadeiras no parlamento. Para governar, são necessárias ao menos 61.
Enquanto isso, a oposição liderada pelo ex-comandante das Forças Armadas, Gadi Eisenkot, conseguiu 45 cadeiras.
Apesar de o resultado não apontar para nenhum vencedor direto, ambos os líderes afirmaram que venceram a disputa.
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Duas versões de um resultado
Netanyahu afirmou que seu partido, o Likud, emergiu como a maior sigla de Israel e ironizou as pesquisas eleitorais que o colocavam atrás de seu oponente.
Em um tom otimista, ele chegou a dizer que o país vai continuar próximo de Trump e se fortalecendo no cenário internacional:
“O Irã está mais fraco do que nunca, e Israel está mais forte do que nunca. Ainda assim, isso não acabou. Enquanto esse regime existir, continuará tentando nos destruir. Juntos, com nosso maravilhoso amigo, o presidente Trump, precisamos eliminar essa ameaça de uma vez por todas”.
Simultaneamente, Eisenkot afirmou que o resultado mostra o anseio popular por mudança:
“Esta noite, tivemos a resposta: a população quer mudança. Um líder digno reconheceria essa falta de confiança da população e anunciaria hoje sua retirada da vida política. Diante da participação eleitoral excepcionalmente alta, seria um erro caminhar para mais uma eleição. É meu dever cumprir a vontade do povo.”
Ao todo, os partidos de oposição e os árabes conseguiram 65 cadeiras, mais do que o necessário para governar.
A eleição foi marcada pelo crescimento dos partidos árabes, que somaram 17 cadeiras.
Yussef Jabareen, líder da Lista Unificada, que reúne três siglas árabes, ofereceu seu apoio à oposição:
“Quem quiser oferecer uma alternativa real e autêntica ao governo de Netanyahu, cujas mãos estão manchadas de sangue, deve nos procurar e abrir caminho para a mudança”.
No entanto, Netanyahu e Eisenkot afirmam que não vão governar com partidos árabes, que representam cerca de um quinto da população.
O fim de uma era?
Caso o Likud seja derrotado por uma aliança da oposição, o país voltará a ter um governo sem o primeiro-ministro que mais tempo ficou no cargo em sua história.
Netanyahu chegou ao poder pela primeira vez em 1996 e deixou o cargo em 1999. Voltou em 2009 e ficou até 2021, quando foi derrotado por uma coalizão de partidos com visões diferentes, unidos sobretudo pela oposição a ele. O governo não se sustentou, e Netanyahu retornou ao poder no fim de 2022.
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