Netanyahu lidera a apuração em Israel, mas fica longe da maioria no Parlamento
Com 84% das urnas contadas, o bloco do premiê soma 54 das 120 cadeiras. A oposição discute uma aliança inédita com partidos árabes para chegar ao governo.

O bloco de Benjamin Netanyahu saiu na frente na contagem dos votos em Israel, mas ainda não tem como governar sozinho.
Com cerca de 84% das urnas apuradas nesta quarta-feira (28), a coalizão do primeiro-ministro somava 54 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense.
Para formar governo, são necessárias 61.
A oposição, liderada pelo ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, aparecia com 49 assentos. Os partidos árabes somavam 17.
Nenhum dos lados chega à maioria sem ajuda.
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A conta que divide a oposição
O líder do partido Os Democratas, Yair Golan, fez a conta em público e escreveu no X:
"Netanyahu perdeu. Eu sei contar até 120. 65 é mais que 55."
Ele defendeu formar "um governo de mudança em parceria com os cidadãos árabes de Israel".
A proposta enfrenta resistência dentro do próprio bloco. Eisenkot afirmou que esses partidos "não cumprem com os requisitos para a liderança política", o que inclui reconhecer Israel como Estado judaico e tratar o Hamas como organização terrorista.
Netanyahu descartou de forma explícita governar com eles.
O líder do Ra'am, Mansour Abbas, disse ao Canal 12 que conversa com os dois lados.
"Todos estão conversando conosco, não apenas o bloco da mudança."
Votos que ainda podem mexer no placar
A contagem não terminou. Faltam os envelopes duplos, que incluem os votos dos soldados e podem alterar o resultado.
Partidos menores, como o Reservistas, com 2,7%, ficaram abaixo da cláusula de barreira de 3,25%.
As pesquisas de boca de urna das principais emissoras indicavam empate ou leve vantagem da oposição. O Canal 14 foi a exceção e deu 60 cadeiras ao bloco de Netanyahu.
A primeira eleição depois de 7 de outubro
O pleito é o primeiro desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, e a segurança dominou a campanha.
Netanyahu soma 19 anos no cargo em seis mandatos e pediu aos eleitores que "salvassem" o país. Eisenkot disse que o resultado mostra desconfiança na gestão do governo sobre o massacre.
O comparecimento chegou a 77,7%, o maior desde 1999.
Com o resultado oficial, o presidente de Israel ouve os partidos eleitos e indica o líder com mais chance de reunir 61 deputados.
Os números finais devem sair nesta quinta-feira (29). Até lá, as duas coalizões negociam apoio cadeira por cadeira.
Entenda as motivações por trás da guerra no Oriente Médio
A guerra no Oriente Médio não se limita aos campos de batalha, ela também se desenrola no terreno das narrativas.
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