O anúncio não menciona o desarmamento exigido pelo acordo de cessar-fogo, ponto que o grupo tem recusado até agora.

O Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) a dissolução do órgão que administra a Faixa de Gaza desde 2007, chamado de "Comitê de Emergência".
O grupo palestino afirma estar pronto para transferir a administração do território a um comitê de tecnocratas palestinos, o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG).
A transição está prevista no acordo de cessar-fogo assinado entre Hamas e Israel em outubro de 2025.
Segundo Ismail al-Thwabta, porta-voz do Hamas, o grupo já realizou "todos os preparativos" administrativos e legais para a entrega do poder.
Ele afirmou ainda que os cerca de 60 mil funcionários do atual governo de Gaza seriam mantidos como servidores públicos sob a nova gestão.
A Brasil Paralelo levou suas câmera para o Oriente Médio e filmou um documentário que explica a guerra para além das narrativas ocidentais. Assista ao filme completo abaixo:
O comunicado não menciona o desarmamento do Hamas, uma das principais exigências da segunda fase do acordo de cessar-fogo e ponto que o grupo tem recusado até agora.
O anúncio muda pouco a situação no território. O Hamas e suas forças de segurança seguem no controle da parte de Gaza que não está ocupada pelos militares israelenses.
O NCAG foi criado em outubro, dentro do plano de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, mas até hoje não conseguiu entrar em Gaza nem exercer qualquer autoridade sobre o território. O comitê segue baseado no Cairo, capital do Egito.
Em nota, o Conselho de Paz afirmou que vai avaliar a situação "guiado por ações, e não por promessas".
O órgão reforçou que a condição básica do acordo continua sendo a mesma: "uma autoridade, uma lei e uma arma", numa referência direta à exigência de que o Hamas entregue suas armas ao NCAG.
O acordo de cessar-fogo, que entrou em vigor em outubro, previa o fim dos combates na região. Mas, segundo o Ministério da Saúde palestino, mais de mil pessoas morreram em ataques israelenses em Gaza desde então.
Na fase mais recente do plano, ao invés de recuar, as forças israelenses passaram a ocupar cerca de 70% do território, concentrando os cerca de dois milhões de palestinos da região em uma área cada vez menor.
Uma força internacional de segurança, prevista para viabilizar a entrada do comitê tecnocrata em Gaza, também ainda não foi implementada.
A guerra no oriente médio não se limita aos campos de batalha, ela também se desenrola no terreno das narrativas.
Buscando entender o que está por trás dessa guerra, a Brasil Paralelo decidiu ir ao Oriente Médio e ouvir diretamente as pessoas que estão envolvidas.
O resultado dessa investigação é o documentário From the River to the Sea. A produção oferece uma visão ampla, humana e direta do que está em jogo no conflito.
Entenda, pela voz dos próprios envolvidos, o que realmente está acontecendo na região.
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