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Mundo•5 min de leitura

Eleições em Israel: quem é o comandante que perdeu o filho em Gaza e agora quer substituir Netanyahu

De ex-ministro a opositor ao governo atual, Gadi Eisenkot pode conseguir a maior bancada no parlamento israelense.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Gadi Eisenkot discursa em evento do partido Yashar
Fonte da imagem: EPA

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Em seu terceiro mandato desde 1996, o governo Netanyahu pode acabar após as eleições parlamentares desta terça-feira (27).

Israel vai às urnas nas primeiras eleições nacionais desde o atentado de 7 de outubro de 2023.

As pesquisas apontam um empate técnico entre o bloco do Likud, partido de Netanyahu, e a oposição liderada pelo Yashar, partido de centro do ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Gadi Eisenkot.

No último comício antes da votação, no domingo (25), Eisenkot, de 66 anos, prometeu reconciliar um país profundamente dividido:

“Nosso objetivo não é que um lado prevaleça sobre o outro. Trabalharemos para reunir novamente todos os israelenses — aqueles que votaram em nós e aqueles que não votaram”.

Ele também afirmou que “Netanyahu deve voltar para casa” e que “o espírito da mudança está mais forte do que nunca”.

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De soldado a chefe do Exército

De origem humilde e filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot pode se tornar o primeiro primeiro-ministro mizrahi de Israel, grupo de judeus com raízes no Oriente Médio e no Norte da África.

A comunidade mizrahi é uma base importante de apoio a Netanyahu e enfrentou desvantagens nas primeiras décadas do país, quando a política era dominada por judeus de origem europeia.

Eisenkot serviu nas Forças de Defesa de Israel por 41 anos. Começou como soldado na Brigada Golani, unidade que atua no Líbano, e passou por todos os postos da hierarquia militar.

Comandou tropas na Cisjordânia durante a segunda intifada e na guerra de 2006 contra o Hezbollah, no Líbano.

Nesse conflito, aplicou a chamada “doutrina Dahiyeh”, que responde a ataques de grupos armados com força total. O nome vem dos subúrbios ao sul de Beirute controlados pelo Hezbollah.

Na época, o coordenador de ajuda emergencial da ONU afirmou que o bombardeio em Dahiyeh violou o direito humanitário.

Durante a campanha, Eisenkot citou a doutrina como prova de sua experiência em segurança.

Em 2015, chegou ao topo da carreira e foi nomeado 21º chefe do Estado-Maior, cargo que ocupou até 2019. Quem o indicou foi o próprio Netanyahu.

Do governo de Netanyahu à oposição

Eisenkot entrou na política em 2022, eleito deputado pela aliança de centro de Benny Gantz, seu antecessor no comando das Forças Armadas.

Depois do 7 de outubro, juntou-se ao governo de Netanyahu em nome da unidade nacional.

Como ministro sem pasta, integrou o gabinete de guerra que decidiu os rumos da ofensiva em Gaza.

Durante uma reunião desse gabinete, ele recebeu a notícia da morte de seu filho mais novo, Gal Meir Eisenkot, de 25 anos, reservista em Gaza. Dois sobrinhos dele também morreram em combate.

Em junho de 2024, deixou o governo acusando Netanyahu de comprometer as negociações pela libertação dos reféns, sob pressão de aliados da direita.

Dedicado a se opor ao primeiro-ministro, o militar criou o Yashar, palavra hebraica que significa “reto” ou “honesto”, em 2025.

Relembre o atentado que deu origem à guerra em Gaza e entenda o contexto do conflito com o documentário From The River to the Sea. Assista completo abaixo:

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O que ele defende?

Em segurança, Eisenkot pouco se diferencia do atual governo. Ele promete derrotar o Hamas em até 18 meses e critica Netanyahu por não ter cumprido essa meta:

“Nós definimos — e eu votei a favor — a destruição do poder militar e governamental do Hamas. Decidimos alcançar esse objetivo no prazo de um ano. Já se passaram mais de três anos e isso não aconteceu”.

Segundo ele, a libertação dos reféns foi o único objetivo da guerra alcançado por Israel. Eisenkot também se opõe à criação de um Estado palestino:

“Dois Estados para dois povos é um erro… Minha posição é que, entre o rio Jordão e o mar, Israel deve deter a responsabilidade primordial pela segurança. Não pode haver nenhum exército estrangeiro entre o Mediterrâneo e o Jordão se quisermos sobreviver”.

Sobre o Irã, defende impedir que o país tenha armas nucleares, seja pela força, seja por um acordo diplomático apoiado pelos EUA.

Na Cisjordânia, Eisenkot apoia os assentamentos judaicos, mas diz que eles precisam ser “legais”, o que indica oposição a postos avançados criados sem aprovação do Estado.

Ele também promete acabar com a impunidade de colonos que atacam palestinos e é contra o projeto E1, do governo Netanyahu, que dividiria a Cisjordânia ao meio.

Na política interna, defende:

  • a revogação da reforma judicial aprovada pelo governo Netanyahu;

  • uma comissão de investigação sobre o 7 de outubro;

  • o fim da isenção do serviço militar para os judeus ultraortodoxos.

O fim de uma era?

Caso o Likud seja derrotado, o país voltará a ter um governo sem o primeiro-ministro que mais tempo ficou no cargo em sua história.

Netanyahu chegou ao poder pela primeira vez em 1996 e deixou o cargo em 1999. Voltou em 2009 e ficou até 2021, quando foi derrotado por uma coalizão de partidos com visões diferentes, unidos sobretudo pela oposição a ele. O governo não se sustentou, e Netanyahu retornou ao poder no fim de 2022.

Conheça a trajetória de Netanyahu com o especial da Brasil Paralelo. Assista completo abaixo:

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