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Mundo•5 min de leitura

O que pode mudar em Israel se Netanyahu deixar o governo?

Veja as diferenças nas propostas do principal adversário do primeiro-ministro.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Benjamin Netanyahu fala ao telefone em seu gabinete
Fonte da imagem: Reprodução

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18h
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Nesta terça-feira (27), Israel vai às urnas nas primeiras eleições nacionais desde o atentado de 7 de outubro de 2023.

As pesquisas apontam um empate técnico entre o bloco do Likud, partido de Netanyahu, e a oposição liderada pelo Yashar, partido de centro do ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Gadi Eisenkot.

Uma projeção de 12 de outubro colocava o Yashar em primeiro, com 23 cadeiras, e o Likud em segundo, com 20.

Nenhum dos blocos, porém, deve alcançar sozinho as 61 cadeiras necessárias para formar governo no Parlamento, o Knesset, que tem 120.

Caso o Likud seja derrotado, o país voltará a ter um governo sem o primeiro-ministro que mais tempo ficou no cargo em sua história.

Netanyahu chegou ao poder pela primeira vez em 1996 e deixou o cargo em 1999. Voltou em 2009 e ficou até 2021, quando foi derrotado por uma coalizão de partidos com visões diferentes, unidos sobretudo pela oposição a ele. O governo não se sustentou, e Netanyahu retornou ao poder no fim de 2022.

  • Conheça a trajetória de Netanyahu com o especial da Brasil Paralelo. Assista completo abaixo:

O que não deve mudar

Netanyahu e Eisenkot se opõem à criação de um Estado palestino independente, assim como os líderes de quase todos os partidos de maioria judaica.

Os dois rejeitam a “solução de dois Estados”, que serviu de base para as negociações de paz por gerações.

Ambos defendem que Israel mantenha o controle de segurança sobre todo o território entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo.

Em Gaza, a posição também é parecida. Três anos após o 7 de outubro e um ano depois do cessar-fogo mediado pelos EUA, as tropas israelenses controlam cerca de dois terços do território.

Os mais de 2 milhões de moradores vivem no terço restante, ainda sob controle político do Hamas.

Para os dois candidatos, Israel não sairá de Gaza enquanto o Hamas não se desarmar, e ambos estão prontos para retomar a guerra, se necessário.

Eisenkot promete substituir a administração do Hamas em até 18 meses, por meio de um plano mediado pelos EUA ou pela força.

O Irã também continuaria sendo tratado como ameaça. Eisenkot, porém, duvida que a força militar sozinha derrube o regime e apoiaria um novo ataque apenas se Teerã avançar rumo a uma arma nuclear.

Cisjordânia: a principal diferença

Centenas de milhares de israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia, território ocupado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Quase todos os países consideram a prática ilegal pelo direito internacional, mas Israel contesta esse entendimento.

Sob Netanyahu, os assentamentos se expandiram, inclusive com postos avançados em áreas onde a própria lei israelense os proíbe.

Ataques de colonos contra palestinos também aumentaram, e críticos acusam o governo de fazer vista grossa.

Eisenkot apoia os assentamentos, mas defende que sigam a lei israelense. Ele promete desmontar os postos avançados ilegais e impedir a violência de colonos contra palestinos.

Ele também é contra o projeto E1, aprovado pelo governo Netanyahu, que dividiria a Cisjordânia ao meio e a isolaria de Jerusalém Oriental.

Segundo os próprios colonos, o objetivo da obra seria “enterrar” a possibilidade de um Estado palestino.

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O que pode mudar dentro de Israel

A oposição promete criar uma comissão independente para investigar as falhas que permitiram o 7 de outubro, o maior desastre de segurança da história do país.

O governo Netanyahu tem resistido a abrir esse tipo de investigação ao longo dos últimos anos.

Outro tema central é a isenção do serviço militar para estudantes religiosos de vertentes ultraortodoxas.

Netanyahu, que depende dos partidos ultraortodoxos, quer formalizar o benefício. Os principais partidos de oposição prometem acabar com ele.

Há ainda a reforma do Judiciário, que tentou limitar o poder da Suprema Corte. Os apoiadores do governo veem a medida como uma correção necessária.

Os críticos, por sua vez, a veem como uma tentativa de concentrar poder. Uma vitória da oposição deve interromper o projeto.

A oposição também pretende criar uma lei para impedir que políticos processados criminalmente sejam primeiros-ministros. Netanyahu responde a processos por corrupção.

No exterior, um novo governo deve tentar recuperar as relações com a Europa e o apoio dos dois partidos americanos, já que a aliança de Netanyahu com os republicanos afastou os democratas.

A coalizão vai decidir tudo

Hoje, Netanyahu governa com partidos de extrema direita liderados por Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, que defendem a anexação total dos territórios palestinos e são alvo de sanções em países ocidentais por incentivar a violência de colonos.

Para tirar Netanyahu do poder, Eisenkot deve atrair partidos de direita menos radicais e os Democratas, de centro-esquerda, único partido relevante de maioria judaica que defende dois Estados.

O problema é a conta. Netanyahu e Eisenkot afirmam que não vão governar com partidos árabes, que representam cerca de um quinto da população. Sem eles, a oposição dificilmente chega às 61 cadeiras.

Em 1992, Yitzhak Rabin formou maioria com o apoio externo de cinco deputados árabes, sem levá-los para o governo.

Se nenhum lado conseguir maioria, Israel pode ir a uma nova eleição, ou Netanyahu pode continuar no cargo à frente de um governo provisório.

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