Países disputam pelo futuro da Síria e podem mudar o equilíbrio de forças na região.

Enquanto o regime do Irã continua em guerra com os EUA, a atenção do governo israelense parece se voltar para outro país, a Turquia.
Às vésperas das eleições israelenses, que acontecerão no dia 27 de outubro, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está trocando farpas com o governo turco.
Esta semana, ele chegou a chamar o presidente do país muçulmano, Recep Tayip Erdogan de “tirano antissemita”.
No poder desde 2003, Erdogan tem sido acusado de avançar contra a democracia e o Estado laico em seu país, principalmente depois de sofrer uma tentativa de golpe de Estado em 2016.
O presidente não esconde sua aversão a Israel, ele chegou a pedir uma aliança islâmica para acabar com israel há dois anos:
"O único passo que vai parar a arrogância israelense, o banditismo israelense e o terrorismo de Estado israelense é a aliança de países islâmicos”, afirmou na época.
Porém a escalada entre os dois países aumentou nas últimas semanas, principalmente por conta da relação com a Síria.
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Caças israelenses bombardearam a base aérea de Abu al-Dahar, no Norte do país. A justificativa para a operação foi evitar o envio de tropas, drones e sistemas de defesa aérea turcos para o local.
Segundo o governo de Israel, uma presença turca na região acabaria sua liberdade de ação no espaço aéreo sírio e mudaria o equilíbrio próximo às suas fronteiras.
Netanyahu afirmou que Israel "não tolerará" uma presença militar turca na Síria que represente ameaça ao país.
Já governo de Ancara classificou a posição israelense como "insustentável" e acusou Netanyahu de adotar políticas expansionistas e desestabilizadoras na região.
Também afirmou que continuará cooperando com o governo sírio em busca de paz, estabilidade e prosperidade.
Grande parte da disputa gira em torno do futuro da Síria. Após a queda de Assad, a Turquia virou um dos principais apoiadores do novo governo sírio.
Já Israel mantém operações na Síria para impedir o fortalecimento de grupos considerados ameaças à sua segurança.
Além disso, o país ocupa uma zona de segurança no sul do território sírio desde a queda do antigo regime.
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A disputa entre Turquia e Israel também envolve influência política, energia e infraestrutura no Mediterrâneo.
Israel ampliou sua cooperação estratégica com Grécia e Chipre, países que mantêm antigas disputas territoriais com a Turquia.
Nesta semana, israelenses e gregos assinaram um acordo de defesa avaliado em cerca de 3 bilhões de euros.
Pelo acordo, Israel fornecerá à Grécia um sistema de defesa aérea em múltiplas camadas, incluindo equipamentos como David's Sling, SPYDER, BARAK MX e radares de vigilância aérea.
O governo israelense classificou o contrato como o maior já firmado entre os dois países na área de defesa.
Apesar do aumento das tensões, um confronto militar direto entre Turquia e Israel continua improvável.
Os dois países possuem forças armadas relevantes, mantêm relações com os Estados Unidos e sabem que um conflito aberto teria elevado custo político e militar.
Por isso, a tendência é que a rivalidade continue sendo travada por meio de alianças estratégicas e pressão diplomática.