Justiça quebra sigilo de documentos sobre a morte de Tancredo Neves 16 anos após pedido da família
Novas informações sigilosas do hospital poderão ajudar a esclarecer perguntas em aberto sobre o caso.

Um dos casos mais controversos na história política do Brasil foi a morte de Tancredo Neves às vésperas da redemocratização.
Eleito pelo Congresso para presidir o país, o senador morreu de diverticulite antes de tomar posse, abrindo caminho para o governo de seu vice, José Sarney.
O caso é imerso em teorias da conspiração e suspeitas que vão desde assassinato até uma morte que teria acontecido antes do anunciado.
Esta semana, a Justiça Federal tomou uma decisão que pode resolver muitas das perguntas deixadas em aberto.
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou por unanimidade que a família de Tancredo poderá ter acesso a documentos sigilosos sobre sua internação.
O objetivo dessa medida é possibilitar que familiares e o povo possam ter respostas para algumas das dúvidas sobre o caso, que aconteceu há mais de 40 anos.
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16 anos de espera
A determinação da Justiça desta semana é uma resposta a um pedido feito há mais de 16 anos.
Em 2010, o escritor Luís Mir estava trabalhando na obra O Paciente, que aborda a internação do presidente eleito.
Com a autorização de familiares, o autor fez uma ampla pesquisa sobre o período e chegou a apontar falhas em procedimentos.
No entanto, seu trabalho esbarrou em problemas para conseguir o acesso a mais informações e detalhes.
A família chegou a pedir a liberação de documentos sobre o caso, porém isso foi negado com base no sigilo médico-paciente.
Por causa disso, o caso foi parar na Justiça, onde passou mais de uma década até esta semana.
Esta não foi a única morte suspeita que marcou o período que antecedeu o fim do regime militar no Brasil.
As mortes suspeitas da Frente Ampla
Um dos casos mais misteriosos da época envolve a morte de dois ex-presidentes e do líder da direita Carlos Lacerda, os três membros da Frente Ampla contra o regime.
Em 1975, o Brasil deixava o Milagre Econômico e a oposição aos generais se tornava cada vez mais forte.
Nesse cenário político caótico, Juscelino Kubitschek morreu em um suposto acidente de carro em agosto de 1976.
No final do mesmo ano, João Goulart perdeu a vida após um suposto ataque cardíaco. Ele vivia exilado na Argentina, também governada por militares que haviam tomado o poder três anos antes.
Pouco tempo depois, o último líder da Frente Ampla morreu, também com problemas ligados ao coração.
A Brasil Paralelo lançou luz sobre as principais teorias acerca desses casos em um especial na quarta temporada de Investigação Paralela.
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