Um dos maiores líderes da direita no Brasil morreu de maneira suspeita. Filha acredita em envenenamento
Ex-governador morreu na mesma época que dois ex-presidentes, os três estavam enfrentando o regime militar.

Em maio de 1977, a história de um dos nomes mais importantes e polêmicos na política do Brasil chegou ao fim.
Segundo a versão oficial, Carlos Lacerda faleceu com uma infecção cardíaca pouco após ser internado para exames de sintomas de gripe e crise de angina.
Apesar do laudo, a morte de Lacerda ainda levanta suspeitas da opinião pública e divide familiares.
Quando começaram as discussões sobre fazer novas investigações sobre as mortes de JK e Jango, a filha de Lacerda, Maria Cristina, apoiou que o mesmo fosse feito sobre seu pai:
"Acredito que os militares plantavam pessoas, alertas, à espreita de qualquer doença, como no caso de Jango e de meu pai, ou de viagem, no caso de JK, para aproveitar um descuido", chegou a declarar.
Já o irmão dela, Sebastião Lacerda, não apoiou a ideia, chegando a afirmar que se tratava de “aproveitar politicamente de um fato muito particular da família".
A morte de Lacerda aconteceu pouco tempo após o falecimento de Juscelino Kubitschek e João Goulart, os três tinham declarado uma aliança contra o regime militar.
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De inimigos a aliados
O ex-governador do Rio de Janeiro era dono do jornal A Tribuna da Imprensa e liderou a UDN, um dos principais partidos políticos da direita brasileira na década de 1950.
Lacerda foi pivô de algumas das crises políticas mais importantes do país, enfrentando diretamente figuras como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros.
Ele foi um dos principais apoiadores do movimento que derrubou o governo de João Goulart em 1964.
No entanto, rompeu com os militares ainda no ano seguinte, chegando a declarar o presidente Castelo Branco de “traidor da revolução”.
Conforme o regime se estabelecia, Lacerda se juntou a seus antigos inimigos políticos, JK e Juscelino, para formar uma Frente Ampla em defesa da democracia.
Quando a linha dura dos militares se estabeleceu no poder, Lacerda foi preso e aliança se tornou ilegal.
Em 1975, o Brasil deixava o Milagre Econômico e a oposição aos generais se tornava cada vez mais forte.
Nesse cenário político caótico, Juscelino morreu em um suposto acidente de carro em agosto de 1976.
No final do mesmo ano, Goulart perdeu a vida após um suposto ataque cardíaco. Ele vivia exilado na Argentina, também governada por militares que haviam tomado o poder três anos antes.
Pouco tempo depois, o último líder da Frente Ampla morreu, também com problemas ligados ao coração.
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