Presidente também afirmou que o mundo não é de esquerda e defendeu uma posição de centro.

Lula foi flagrado dizendo que nunca foi esquerdista enquanto falava com a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, e o chanceler alemão, Friedrich Merz.
Os três estavam em uma conversa informal antes de uma reunião oficial quando foram pegos pela transmissão do evento.
O presidente comentava sobre as mudanças políticas no mundo e destacou que o avanço da direita não era uma surpresa:
“Nos EUA, os republicanos ficaram mais no governo do que os democratas... O que isso prova? Que o mundo não é de esquerda. O mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade”.
Georgieva respondeu dizendo que todos esperavam que Lula fosse um esquerdista, ao que ele contra-argumentou com uma história.
Na década de 1980, ele chegou a ser taxado de anticomunista durante uma viagem sindical na Europa:
“Mas eu nunca fui esquerdista. Veja, eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão... Em 1980, eu tinha um congresso na Rússia em que fui convidado e não fui para a Rússia porque estava condenado pela lei de segurança nacional. Fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade e passei a ser tratado como anticomunista”.
Apesar de falar dessa forma no G7, Lula já usou um tom diferente para falar sobre seu posicionamento político.
Há dois anos, o presidente falou que se orgulhava quando a oposição o chama de comunista durante um discurso na abertura do Foro de São Paulo:
“Eles nos acusam de comunistas achando que ficamos ofendidos com isso. Nós ficamos ofendidos se nos chamassem de nazistas, fascistas e terroristas, mas de comunistas ou socialistas não nos ofende, isso nos orgulha”.
Na metade da década de 1980, o empresário Emílio Odebrecht enfrentava problemas com o sindicato.
Uma refinaria que ele estava construindo havia sido travada por uma greve e parecia quase impossível negociar uma saída.
Foi nesse contexto que o governador de São Paulo, Mário Covas, sugeriu que ele tentasse conversar com um dos maiores líderes sindicais da época, Lula.
Famoso por liderar as grandes greves dos metalúrgicos na região do ABC, Lula já era uma figura admirada e defendida pela esquerda.
Preocupado em tentar resolver seus problemas, Emílio procurou saber mais sobre aquele homem com um amigo do governo.
Seu contato era Golbery do Couto e Silva, o criador do Serviço Nacional de Informação (SNI), órgão do regime militar responsável por coletar informações sobre pessoas de interesse.
Assim que o empresário falou sobre o sindicalista, Golbery respondeu:
“Emílio, o Lula não tem nada de esquerda. Ele é um bon vivant".
Aquele foi o início de uma amizade que duraria décadas e chegaria aos noticiários através de um dos maiores escândalos de corrupção da história do país, descoberto pela Operação Lava Jato.
No mesmo depoimento em que contou isso, Odebrecht fez questão de acrescentar que concordava com a frase do militar:
“É verdade, ele gosta da vida boa, uma cachacinha... A coisa que ele mais quer é ver a população carente sem prejuízo, essa é a visão mais correta dele. Não é tirar de um para dar ao outro, não, como pode, aquele que pode, ajudar o outro a crescer”.
Essa não foi a primeira e nem a última vez em que aliados do presidente disseram que ele não tem nada de esquerda.
O próprio presidente nunca escondeu que não é exatamente um radical de esquerda. Ele já chegou a elogiar o regime militar:
Além disso, destacou as boas condições econômicas do governo Médici e a popularidade do presidente:
“O Medici que foi o presidente mais duro do regime militar também foi o mais popular, porque no início dos anos 1970 era o auge do milagre brasileiro… Eu penso que se houvesse uma eleição e o Medici fosse candidato naquele tempo ele ganharia”.
Apesar disso, o PT foi formado por intelectuais e ex-guerrilheiros ligados a setores radicais da esquerda, como José Dirceu e José Genoíno.
A sigla também se aliou com regimes ditatoriais de esquerda, como Cuba de Fidel Castro e a Venezuela de Hugo Chávez e Maduro.
O próprio Lula teve um papel na criação do Foro de São Paulo, organização que reúne lideranças da esquerda para promover intercâmbios de ideias e experiências.
O grupo foi criado em 1990, quando o PT convidou membros de partidos de esquerda da América Latina e Caribe para discutir a conjuntura internacional após a queda do Muro de Berlim.
Além de reunir ditaduras e governos investigados por corrupção, o grupo também articula com como no caso das FARC.
Hugo Chávez contou que conheceu o ex-comandante do grupo, Raúl Reyes, em sua primeira reunião na organização, em 1995.