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Como o 8 de janeiro impactou a política brasileira?

Entenda os impactos do 8 de janeiro na política brasileira

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Invasão à Praç
Fonte da imagem: Wikicommons

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No dia 8 de janeiro de 2023, milhares de pessoas invadiram prédios públicos em protesto contra a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Apoiadores do governo acusam os manifestantes de golpe e atos antidemocráticos, enquanto a oposição alega perseguição política. 

O episódio se tornou um marco na história do Brasil, classificado por alguns políticos como o ponto-chave para que Lula tivesse governabilidade. Uma dessas pessoas é o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS). 

Em entrevista ao programa Contraponto, da Brasil Paralelo, o parlamentar afirmou que se o episódio não tivesse acontecido, o governo já teria sofrido um novo processo de impeachment. 

“O 8 de janeiro foi o que deu a Lula o fôlego necessário para que ele pudesse governar sem o povo contestando [suas ações] na rua”

Uma série de especialistas acredita que o episódio virou “moeda de troca”, tanto para que o governo apoiasse uma série de pautas prioritárias quanto para que a direita tentasse negociar a anistia dos envolvidos em troca da aprovação outras propostas. 

Van Hattem: direita conservadora e liberal veio para ficar e crescerá na  oposição
O deputado federal Marcel Van Hattem (NOVO/RS). Imagem: Partido Novo.

Durante meses, cidadãos comuns realizaram acampamentos do lado de fora dos batalhões, na em protesto contra a vitória eleitoral de Lula.

 “Eu fui à tribuna da Câmara dos Deputados dizer: pessoal, não fiquem na frente dos quartéis. Vão para a frente da Câmara, do Senado. Óbvio que não para quebrar ou invadir, mas para pressionar o deputado, o senador. O poder do povo está na Câmara e no Senado. É o Artigo 1º da nossa Constituição”. 

Van Hattem defende ainda que a narrativa adotada por alguns veículos de mídia contribui para restrição da liberdade de expressão e manutenção de várias pessoas presas. Para ele, alguns veículos estão sendo usados para promover os interesses de pessoas poderosas. 

“Várias das perseguições que aconteceram [...] nos inquéritos do Supremo Tribunal Federal se deram com base em matérias jornalísticas”. 

O incidente do 8 de janeiro teria também prejudicado o direito ao devido processo legal no Brasil, garantido pela Constituição Federal em seu artigo 5º, inciso LIV:

“Ninguém será privado de liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”.  

O deputado acredita que no Brasil atualmente “nós vivemos hoje um momento muito grave no país em que o devido processo legal não serve para quem é perseguido pelo Estado. E a imprensa tem, lamentavelmente, contribuído para isso”

Prisões por supostamente ameaçar a democracia

Outra controvérsia em torno do episódio foram as prisões dos supostos articuladores e financiadores do golpe. É o caso de Filipe G. Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro (PL-RJ). 

Ele foi acusado de participar do grupo que supostamente elaborou a 'minuta do golpe', que teria sido entregue às Forças Armadas por Bolsonaro. De acordo com as investigações, o objetivo do documento seria convencer Exército, Marinha e Aeronáutica a apoiarem um golpe de Estado. 

O planejamento teria acontecido no final de 2022, quando Bolsonaro estava nos Estados Unidos. Martins foi preso em 8 de fevereiro de 2024 por ordem de Alexandre de Moraes e solto seis meses depois. 

A prisão foi autorizada com base no argumento da Polícia Federal de que Martins estaria foragido no exterior e havia risco de fuga do país. 

Meses após a prisão, a principal alegação da Polícia Federal foi desmentida. A companhia aérea LATAM confirmou que o ex-assessor de Bolsonaro não havia deixado o Brasil; na verdade, ele embarcou para Curitiba no final de 2022. Na ocasião, o jornal Folha de São Paulo divulgou que o ex-assessor de Bolsonaro estava preso há seis meses com base em uma acusação falsa, sem ter sido condenado ou sequer formalmente acusado de qualquer crime.

Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro (PL)
O ex-assessor de Jair Bolsonaro, Filipe G Martins, preso em fevereiro de 2024 e solto em 10 de agosto, após a identificação de provas fraudulentas. Imagem: reprodução redes sociais.

Para Marcel Van Hattem, situações como essa, em que se comprova a fragilidade das provas utilizadas para prender cidadãos, são prejudiciais à democracia. Ele enfatiza que casos como o de Filipe G. Martins mostram a necessidade de transparência e clareza na divulgação dos fatos pela imprensa:

“Felipe Martins foi preso injustificadamente inclusive com base em uma fraude, que foi feita internacionalmente, de sua entrada no no aeroporto de Orlando. [Isso] nunca aconteceu. Então nós temos uma série de fatos que precisam ser levados a público de uma forma mais clara. 

Durante toda a conversa com Bruno Magalhães, Van Hattem ressaltou a importância de preservar os direitos e liberdades individuais em uma sociedade verdadeiramente democrática. Ele também alertou sobre os perigos da relativização de crimes e de um possível viés tendencioso da imprensa, que podem contribuir para tornar os cidadãos menos livres e mais vulneráveis. 

[LEADS] Brasil Evangélico
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