Ele recebeu um Habeas Corpus do STF, teve a liberdade revogada horas depois, mas nunca mais foi localizado.

André de Oliveira Macedo, conhecido como André do Rap, está foragido desde 10 de outubro de 2020.
Apontado pelas autoridades como um dos chefes do PCC, ele saiu da cadeia por decisão do STF, teve a liberdade revogada horas depois e nunca mais foi encontrado.
Até hoje, a polícia não sabe onde ele está.
Desde a fuga, Interpol, Polícia Federal e Polícia Civil de São Paulo já checaram dezenas de endereços no Brasil e no exterior.
As buscas passaram por cidades de São Paulo, pelo Paraná e por países como Paraguai, Bolívia e Colômbia. Nenhuma delas levou à prisão do traficante.
O caso se tornou um dos episódios mais constrangedores da Justiça brasileira porque André do Rap não escapou por um túnel ou foi resgatado. Ele saiu pela porta da frente do presídio.
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A soltura foi determinada pelo então ministro Marco Aurélio Mello. A defesa alegava que André estava preso preventivamente desde 2019 sem que a necessidade da prisão fosse reavaliada no prazo previsto pela legislação.
Com base nesse argumento, o ministro concedeu o habeas corpus. Na prática, a decisão tirou da cadeia um homem apontado como uma das principais lideranças do tráfico internacional de drogas ligado ao PCC.
Horas depois, Luiz Fux, então presidente do STF, derrubou a decisão e determinou a prisão imediata. Mas já era tarde.
André do Rap havia deixado a Penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, e não foi encontrado no endereço informado à Justiça.
A partir dali, deixou de ser apenas réu e condenado em processos por tráfico. Passou a ser também um dos foragidos mais procurados do país.
Segundo as investigações, ele é ligado ao envio de cocaína para a Europa pelo Porto de Santos. Antes de ser preso em 2019, já havia ficado cinco anos foragido até ser localizado em uma mansão em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
Na ocasião, a polícia encontrou sinais de uma vida de luxo. As apurações apontaram patrimônio milionário, lancha, helicóptero e uso de negócios de aparência regular para esconder dinheiro do tráfico.
Depois da fuga de 2020, investigadores passaram a trabalhar com a hipótese de que André tenha deixado o estado, ido ao Paraná e embarcado em um jato particular rumo a algum país da América do Sul.
A suspeita nunca foi confirmada publicamente.
A defesa afirma acreditar na inocência dele e diz que a condenação ainda pode ser revertida em fase recursal.
Um dos advogados também já sugeriu publicamente que, diante desse cenário, o traficante não deveria se entregar.
Cinco anos depois, o caso André do Rap continua aberto.
Ele está na lista de procurados da Interpol, tem mandado de prisão em aberto e segue como símbolo de uma falha. O Estado brasileiro conseguiu prendê-lo, soltou-o por uma decisão provisória e, quando tentou corrigir o erro, já não sabia mais onde ele estava.
O caso André do Rap expõe uma das faces mais graves da crise da segurança pública no Brasil: quando o Estado consegue prender um dos nomes mais procurados do PCC, mas não consegue mantê-lo atrás das grades.
Cinco anos depois, ele segue foragido. A Brasil Paralelo investiga a crise da segurança pública em Entre Lobos 2026, a maior produção já feita sobre segurança pública no país.
O documentário estreia gratuitamente no dia 30 de julho, às 20h.
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