O Ministério Público argumenta que o senador teria cometido o mesmo erro que deixou Jair Bolsonaro de fora das eleições.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou à Justiça Eleitoral um pedido de investigação contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
O parlamentar é acusado de ter usado sua atuação na CPI do Crime Organizado para obter visibilidade política ao propor o indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
Segundo ele, um agente público pode cometer abuso de poder político quando usa as atribuições do cargo com finalidade eleitoral.
No caso de Vieira, a suspeita é de que a proposta de indiciamento teria servido para promover sua candidatura à reeleição.
O Ministério Público Eleitoral de Sergipe ainda decidirá se apresenta uma ação contra ele. Partidos políticos também poderão levar o caso à Justiça Eleitoral, que terá a palavra final.
A decisão de Gonet recebeu críticas de analistas, que contestam o entendimento de que Vieira teria ultrapassado suas atribuições.
Segundo eles, uma das funções de uma CPI é investigar fatos, apontar possíveis responsáveis e encaminhar suas conclusões às autoridades competentes.
Na avaliação do advogado André Marsiglia, punir um relator por recomendar indiciamentos poderia limitar a atuação das comissões e enfraquecer a imunidade parlamentar.
Eles também questionam se a investigação não funcionaria como uma forma de intimidação contra senadores que fazem críticas ao Supremo.
Gonet, porém, sustenta que Vieira teria usado a CPI com finalidade eleitoral e avançado sobre uma competência do próprio STF.
O senador classificou a medida como “absurda e ilegal”, mas afirmou confiar na análise da Procuradoria Regional Eleitoral de Sergipe.