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História
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Como a Venezuela se tornou uma ditadura? Entenda como Hugo Chávez usou a democracia para tomar o poder

Regime socialista foi implantado aos poucos através de medidas consideradas legais.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
6/1/2026 14:03
BERTRAND PARRES/AFP

O ditador venezuelano Nicolás Maduro foi preso pelo governo americano após uma operação cinematográfica na Venezuela neste final de semana.

Apesar de Trump afirmar que controlará o país nos próximos anos, o chavismo continua no poder

O presidente americano chegou a dizer que a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, aceitará fazer o que é preciso para tornar a Venezuela “grande novamente”.

Em contrapartida, ele rejeitou a ideia de dar poder à oposição, afirmando que não entregará o país à Maria Corina Machado:

"Eu acho que seria muito difícil para ela ser a líder. Ela não tem o apoio, nem o respeito dentro do país. Ela é uma mulher muito simpática, mas não tem o respeito"

O chavismo conseguiu se enraizar nas estruturas do Estado venezuelano de maneira profunda.

Como Hugo Chávez conseguiu transformar a Venezuela em uma ditadura?

Antes de Hugo Chávez assumir o poder, havia uma democracia formal controlada por um acordo político conhecido como Pacto de Punto Fijo, que garanta alternância entre os principais partidos desde 1958. 

Esse sistema começou a ruir nos anos 1980, quando o país mergulhou em uma grave crise econômica causada pela queda no preço do petróleo e alto endividamento público

Em 1989, o presidente Carlos Andrés Pérez estabeleceu uma série de medidas de austeridade e cortes de gastos.

A insatisfação com as mudanças, somada ao aumento do preço de transportes públicos e dos combustíveis, gerou o Caracazo, uma onda de protestos violentamente reprimidos. 

Esse cenário de crise e instabilidade política abriu caminho para a ascensão de Hugo Chávez.

Hugo Chávez: de golpista a presidente eleito

Em 1992, o então tenente-coronel liderou uma tentativa frustrada de golpe de Estado. Foi preso, mas ganhou notoriedade. 

Anistiado anos depois, venceu as eleições de 1998 prometendo acabar com a corrupção e redistribuir a riqueza do petróleo

Criou uma nova Constituição no ano seguinte, que ampliou seus poderes e ajudou a centralizar o comando do país

Seus programas sociais reduziram a pobreza, mas foram financiados por altos gastos públicos em meio ao boom do petróleo, sem planejamento de longo prazo.

Chávez passou a governar com medidas cada vez mais autoritárias. Nacionalizou setores estratégicos, expropriou empresas e afastou opositores do sistema político

Em 2002, militares tentaram derrubar Chávez, que conseguiu se manter após seus apoiadores tomarem as ruas.

Sob a justificativa de contragolpe, o presidente aumentou o radicalismo de seu regime, aumentando a pressão contra opositores e mídia.

Entre suas ações estiveram a cassação da concessão da Rádio Caracas Televisión, uma das maiores emissoras do país

Ele também mudou a estrutura da estatal petrolífera PDVSA, demitindo diversos funcionários e os substituindo por aliados.

Em 2004, Chávez aumentou o número de ministros da Suprema Corte de 20 para 32, colocando aliados nos novos cargos e assumindo o controle sobre o Judiciário

O início da crise

A economia, altamente dependente das importações, começou a desmoronar conforme os preços internacionais das commodities caíam

Ainda assim, o presidente manteve alta popularidade com o apoio de parte da população beneficiada por programas sociais.

Após a morte de Chávez em 2013, seu sucessor, Nicolás Maduro, herdou um país em deterioração

Sem o carisma de seu antecessor e diante da queda no preço do petróleo, Maduro enfrentou uma crise econômica devastadora

A hiperinflação, a escassez de alimentos e medicamentos e a repressão a opositores se intensificaram. 

A partir de 2015, quando a oposição venceu a maioria no parlamento, Maduro passou a governar por decretos, ignorando o Legislativo

Em 2017, criou uma Assembleia Constituinte paralela e pró-regime, deslegitimando o Congresso tomado pela oposição.

A reeleição de Maduro no ano seguinte foi marcada por boicote da oposição e denúncias de fraude

Grande parte da comunidade internacional rejeitou o pleito e o país passou a ser amplamente reconhecido como uma ditadura por diversos países

Nessa época, o presidente da Assembléia Legislativa, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino após considerar o cargo vacante. Ele foi reconhecido pelos EUA, Brasil e uma série de países.

Em 2024, Maduro foi novamente declarado vencedor em uma eleição com indícios evidentes de manipulação dos resultados

A oposição apresentou provas de que Edmundo González teria vencido, mas o regime não reconheceu. Protestos foram brutalmente reprimidos, com dezenas de mortos e milhares de presos.

Ano passado, a tensão entre Venezuela e EUA vinha aumentando, conforme os EUA fizeram a maior mobilização na região do Caribe desde a década de 1960.

O cenário culminou na operação que capturou Maduro neste final de semana. Conheça melhor a trajetória do ditador com o especial de Face Oculta. Assista completo abaixo:

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