As principais notícias todos os dias em seu e-mail
Garanta o próximo envio:
00
D
00
H
00
M
00
S
January 16, 2026
RECEBER DE GRAÇA
This is some text inside of a div block.
3
min de leitura

Heading

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Suspendisse varius enim in eros elementum tristique. Duis cursus, mi quis viverra ornare, eros dolor interdum nulla, ut commodo diam libero vitae erat. Aenean faucibus nibh et justo cursus id rutrum lorem imperdiet. Nunc ut sem vitae risus tristique posuere.

Por
This is some text inside of a div block.
Publicado em
This is some text inside of a div block.
This is some text inside of a div block.
História
3
min de leitura

Conheça a sociedade secreta que moldou a história do Brasil e elegeu 8 presidentes

Organização surgiu no Largo São Francisco, mas estendeu sua influência por todo o Estado brasileiro.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
15/1/2026 18:38
Túmulo do fundador da organização, enterrado no Largo São Francisco. Imagem: Uol.

Diversas teorias da conspiração afirmam que o mundo é controlado por sociedades secretas, que influenciam a cultura e determinam os rumos da humanidade.

Apesar de boa parte dessas teorias serem exageradas ou simplesmente falsas, o Brasil já conheceu um cenário semelhante.

Uma sociedade secreta formada por um pequeno número de homens poderosos influenciou as decisões em momentos importantes da história.

O nome dessa organização é Burschenschaft Paulista, popularmente conhecida pelo apelido “Bucha”.

Essa organização tinha entre seus membros políticos, ministros e até mesmo oito ex-presidentes da República:

  • Prudente de Morais, 
  • Campos Sales, 
  • Rodrigues Alves, 
  • Afonso Pena, 
  • Venceslau Brás, 
  • Artur Bernardes, 
  • Washington Luís e 
  • Júlio Prestes.

As origens da Bucha paulista

A organização surgiu no início da década de 1830 e foi fundada pelo alemão Johann Julius Gottfried Ludwig Frank, mais conhecido como Júlio Frank.

Ele nasceu na cidade de Gotha em 1808 e teve uma infância marcada por abandono e pobreza.

Para sobreviver e garantir seus estudos, Frank contou com a ajuda das confrarias estudantis alemãs, mais conhecidas como Burschenschaften.

Após ser expulso da Universidade de Göttingen, envolvido em dívidas e conflitos, Frank deixou a Alemanha e veio para o Brasil em 1828. 

Depois de passar por dificuldades no Rio de Janeiro, foi morar em São Paulo, onde se tornou professor do Curso Anexo da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, um preparatório para entrar na USP.

Foi nesse ambiente que Frank teve a ideia de criar uma associação inspirada nas Burschenschaften alemãs no Brasil.

A proposta era criar uma sociedade secreta para ajudar estudantes pobres, financiar livros, roupas e despesas básicas, e reforçar a função social do advogado

Em janeiro de 1830, começaram as reuniões informais, seis meses depois a sociedade foi oficialmente fundada.

O primeiro presidente da Bucha foi Diogo Antônio Feijó, que foi regente do Império antes de Dom Pedro II ser coroado.

Rituais, símbolos e hierarquia

Para se tornar um membro da Bucha era necessário ser indicado por outro associado, como é comum na maçonaria.

Os associados precisavam avaliar se o indicado contava com “firmeza de caráter, espírito filantrópico, amor à liberdade e aos estudos”.

A Bucha funcionava sob sigilo absoluto. Seus rituais, símbolos e hierarquia lembravam tanto as confrarias alemãs quanto a Maçonaria.

Durante as reuniões, seus membros costumavam se vestir com mantos e faixas bordadas

Alguns tinham o desenho de um coração vermelho, representando a caridade, outros uma âncora verde, símbolo da esperança, e alguns possuíam uma cruz azul, que simbolizava a fé.

Seus membros seguiam uma hierarquia rigorosa. Dentro da faculdade, eles se organizavam em três níveis:

  • Catecúmenos
  • Crentes
  • Doze Apóstolos

Além dos muros da academia, o comando era feito pelos Chefes Supremos, que respondiam ao Conselho dos Divinos, instância máxima da organização.

Da filantropia ao poder político

Conforme os estudantes se formaram e assumiram posições importantes dentro da sociedade, a Bucha ganhava mais espaço e influência no Estado brasileiro.

Ex-alunos que integravam a sociedade, ao alcançar cargos públicos favoreceriam outros membros nas escolhas de funções políticas e posições estratégicas.

Durante o Império, a Bucha contou com nomes famosos, como:

  • Castro Alves, 
  • Álvares de Azevedo, 
  • Barão do Rio Branco e 
  • Visconde de Ouro Preto.

Quando o país se tornou uma República, a Bucha conseguiu aumentar ainda mais seu poder.

A ordem também teve papel central na criação do Partido Republicano Paulista, um dos mais importantes na República Velha.

Além disso, a ordem influenciou a elaboração do anteprojeto da Constituição de 1890, por meio da chamada Comissão dos Cinco, da qual três membros pertenciam à sociedade.

"Acredita-se que, durante a República Velha, período entre 1889 e 1930, não havia ministro, juiz ou candidato à Presidência da República que fosse indicado sem deliberação do Conselho dos Divinos", disse o historiador Paulo Rezzutti à BBC.

A degeneração da sociedade

Com o tempo, os ideais de filantropia e fraternidade deram lugar a conchavos políticos e cadeias de privilégios

O jurista Miguel Reale conta em suas memórias que a Bucha perdeu seu caráter filantrópico e se tornou apenas uma rede de privilégios:

Como toda sociedade secreta, [a Bucha] logo se degenerou em cadeia de privilégios, que começava na faculdade pela seleção dos catedráticos e terminava nos acordos ‘café com leite’ entre ex-alunos de São Paulo e Minas Gerais, sob a batuta do Senador [do Rio Grande do Sul] Pinheiro Machado, também diplomado pelas Arcadas, e que, sutilmente, preferia ser a eminência parda dos eventos republicanos”.

Em 1931, o diplomata José Carlos de Macedo Soares criou a Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da USP.

Ele teria sido o último presidente da Bucha e a associação serviu como uma espécie de sucessor institucional, segundo o historiador Afonso Arinos de Melo e Franco em entrevista para o portal Aventuras na História.

Apesar de não haver mais informações sobre a Bucha após o período, rumores dizem que a organização continuou existindo ao longo das décadas seguintes.

O jornalismo da Brasil Paralelo existe graças aos nossos membros

Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa. 

Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos. 

Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo. 

Clique aqui.

Relacionadas

Todas

Exclusivo para membros

Ver mais