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Crime
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Jornalista venezuelano explica como funcionava o esquema de corrupção e tráfico no regime chavista

Importação de alimentos eram utilizados para controlar a população e lavar dinheiro das drogas.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
13/1/2026 14:06
RFI

O governo venezuelano não apenas conviveu com a corrupção e o narcotráfico, mas estava diretamente envolvido nessas atividades

O jornalista exilado Rafael Valera conta que o regime chavista operou um esquema criminoso usando programas sociais, empresas de fachada e bancos estrangeiros como ferramenta de poder.

O centro do esquema foi o programa CLAP, a sigla servia para Comitês Locais de Abastecimento e Produção. 

Oficialmente, trata-se de uma política social para distribuir alimentos subsidiados à população pobre em meio à crise, mas na prática funcionava como uma forma de manter o povo sob controle.

As caixas de comida não eram universais. Elas iam para um setor específico da população, comprometido com o partido de governo”, disse Valera.

A comida passou a ser usada como instrumento de controle político, chegando aos aliados do governo ao invés de toda a população:

O regime decidiu importar alimentos para abastecer apenas seus nichos de apoio político.”

O responsável pelo CLAP era Fredy Bernal, aliado histórico de Hugo Chávez e um dos principais líderes das milícias conhecidas como coletivos.

Para importar os alimentos, o governo contou com o apoio dos empresários colombianos Saab e Álvaro Pulido. Eles mantinham negócios com o regime desde 2009.

Os dois já haviam firmado contratos superfaturados em outras áreas, como habitação popular. Com o CLAP, montaram uma estrutura empresarial internacional.

Empresas em Hong Kong, no México, nos Emirados Árabes. Empresas de fachada que compravam alimentos baratos e revendiam ao governo venezuelano por preços inflados”, explica Valera.

Esquema era utilizado para lavar dinheiro do tráfico

O esquema não se limitava ao desvio de dinheiro público. Segundo Valera, ele se conectava diretamente ao narcotráfico colombiano.

Os mesmos navios que levavam as caixas do CLAP também transportavam dinheiro do narcotráfico.”

Grupos de esquerda, como as FARC e o ELN, produziam drogas e precisavam fazer o dinheiro circular. Para isso, usaram a logística usada era a do próprio Estado venezuelano.

Dentro dos contêineres que transportavam arroz, farinha e sardinha, também viajavam grandes quantidades de dinheiro em espécie.

Esse dinheiro não entrava diretamente na Venezuela. Primeiro, fazia uma parada estratégica em Puerto Limón, na Costa Rica, em um porto operado por uma estatal venezuelana do setor de alumínio.

Ali, o dinheiro era lavado para entrar no sistema bancário e depois transferido para bancos russos, alguns deles sancionados pelos Estados Unidos.

Entre eles, o EuroFinance Bank, que, segundo Valera, tinha quase metade de suas ações pertencentes ao próprio Estado venezuelano.

Após a lavagem, os recursos eram redistribuídos para militares e membros da alta cúpula do regime venezuelano:

Tudo isso está documentado. Guias de embarque, registros fiscais, investigações independentes”, afirma.

Mesmo quando empresas eram sancionadas ou proibidas de contratar, o esquema continuava.

Mudavam o nome da empresa, mas mantinham os mesmos operadores, as mesmas famílias, os mesmos representantes legais.”

Para Valera, essa estrutura não veio do fracasso do Estado, mas foi desenhada para garantir a concentração de poder:

“Isso não é colapso nem incompetência. É engenharia de poder”.

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