Bibliotecária é demitida por expor livro trans para crianças e agora processa o Estado
Ela afirma que sofreu discriminação e agora quer indenização, além de restituição do salário.

A bibliotecária LaVonnia Moore trabalhava há 15 anos na biblioteca pública de Blackshear, no estado americano da Geórgia, até ser demitida em junho de 2025.
O motivo foi que ela incluiu o livro Quando Aidan se tornou irmão, do autor trans Kyle Lukoff, em uma vitrine de um programa de leitura infantil.
O livro ilustrado, de 2019, conta a história de uma família negra que descobre um filho trans enquanto se prepara para o nascimento de mais um bebê.
Agora, Moore entrou com uma ação na Justiça federal contra o condado de Pierce e o sistema regional de bibliotecas Three Rivers, responsável pela unidade onde trabalhava.
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Como foi a demissão
Em junho de 2025, Moore era gerente da biblioteca e pediu que famílias da cidade escolhessem livros de capas coloridas para uma vitrine.
Uma família, descrita por ela como de gênero fluido, escolheu o livro de Lukoff e ela permitiu que fosse exposto:
“Eu não disse aos pais e às crianças o que eles podiam ou não acrescentar à vitrine, assim como não digo a eles o que podem ou não ler”, afirmou.
A escolha provocou reação nas redes sociais. Segundo o processo, moradores enviaram e-mails aos comissários do condado em 18 de junho, pedindo a demissão da bibliotecária.
O grupo Alliance for Faith and Family chamou o livro de “estupro mental” e afirmou que a obra tinha o objetivo de confundir as crianças.
Os comissários David Lowman, Randy Dixon e Troy Mattox teriam respondido que a situação já estava “resolvida”.
Segundo a ação, o condado ameaçou cortar a verba do sistema de bibliotecas caso Moore não fosse demitida. Ela foi dispensada no mesmo dia.
Um conflito antigo
Moore acusa o condado e o sistema de bibliotecas de três tipos de discriminação, com base na Lei dos Direitos Civis de 1964:
religiosa, porque, segundo ela, acolher a escolha da família estava de acordo com sua fé;
de sexo, por ter sido demitida por se associar a uma família de gênero fluido e permitir a exposição de um livro sobre uma criança trans;
racial, porque ela, que é negra, foi substituída por uma mulher branca, enquanto um homem branco e gay foi mantido em um cargo de liderança.
Ela também alega violação de seus direitos à liberdade de expressão, ao devido processo legal e à igualdade de proteção, previstos na Constituição americana.
Segundo a ação, depois de registrar uma queixa na comissão federal de igualdade no emprego, Moore passou a sofrer retaliação.
Os réus teriam se recusado a recontratá-la e ainda conseguiram dificultar sua busca por outro emprego.
Ela afirma estar desempregada ou subempregada desde a demissão, já que não há vagas em bibliotecas perto de onde mora.
Moore pede salários atrasados e futuros, benefícios perdidos e indenização por danos morais, além de uma decisão judicial que proíba novas violações.
O sistema de bibliotecas Three Rivers não comentou o caso, citando a possibilidade de um processo judicial. Não há manifestação pública do condado de Pierce.
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