O que é o antissemitismo? Origens
O antissemitismo é uma palavra moderna que designa ódio aos judeus e sua cultura. A repulsa aos judeus é associada a teorias políticas que mostram os judeus como empresários com planos de dominação mundial, diz o historiador Daniel Pipes.
Segundo Marta Francisca Topel, antropóloga da Universidade de São Paulo (USP), o antijudaísmo começa a surgir especialmente depois de Cristo.
O termo antissemita surgiu no século XIX, diz Bernard Lewis, mas a aversão aos judeus é mais antiga.
Início da aversão aos judeus - gnósticos, cristãos e linchamentos
Para a antropóloga Marta Francisca, o antissemitismo começou com as seitas gnósticas e maniqueistas que surgiram aproximadamente no século II. Eles afirmavam que o Deus do Antigo Testamento, o Deus dos judeus, era mau, diferente do Deus do Novo Testamento, que seria o Deus bom.
Com essa convicção, os membros destas seitas passaram a ver os judeus como servos do Deus mau, como agentes de suas más obras. Outra origem da aversão aos judeus está relacionada a perseguição dos judeus contra os cristãos e a certas interpretações dos textos de São Paulo.
A relação entre cristãos e judeus foi conflituosa desde o início. Logo após a morte e ressurreição de Jesus, os judeus passaram a perseguir e matar os cristãos. O cristianismo era considerado pelos fariseus como uma seita idólatra, levando a punição com a pena de morte.
O historiador Thomas Madden aponta que os conflitos entre membros das duas religiões duraram séculos. Madden apresenta o assassinato de judeus a cristãos em Alexandria, em 414, e outros linchamentos ocorridos na Síria no mesmo século.
Em contrapartida, muitos cristão do período medieval utilizaram passagens das Sagradas Escrituras para afirmar que os judeus eram um povo mau e amaldiçoado e linchá-los de seus vilarejos, como será apontado posteriormente neste artigo. Tais atitudes aconteciam em desarmonia com o posicionamento da Igreja Católica.
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São Justino - o Mártir, Tertuliano, Orígenes, Santo Eusébio e outros teólogos importantes, escreveram tratados contra o judaísmo durante a Patrística, mas não defendiam a perseguição aos judeus. No final do século V, Santo Agostinho rejeitou as alegações de alguns cristãos de que os judeus eram servos do diabo.
No cerne do pensamento agostiniano sobre os judeus estavam as palavras do Salmo 59: “Não os mates, para que meu povo não se esqueça: espalha-os pelo teu poder; e derruba-os, ó Senhor, nosso escudo”.
Para ele, a existência do judaísmo era errada, mas eles poderiam lembrar os cristãos de que Deus fala com o povo desde a Antiguidade.
O historiador judeu Nachum Tim Gidal afirmou que os judeus da Europa viveram em relativa paz do século V até o século XIII, no livro Jews in Germany: From Roman Times to the Weimar Republic.
A partir do século XIII, o antissemitismo passou a crescer na Europa junto com as superstições da época, levando muitos vilarejos a considerarem os judeus como culpados pelas muitas das epidemias e desastres naturais da época. Esse fenômeno medieval foi amplamente descrito no livro Bode Expiatório, do sociólogo francês René Girard.
Muitas vilas realizavam linchamentos públicos contra as comunidades judias, exilando-os de seu convívio.
O antissemitismo tornou-se algo natural para muitos alemães até a época de Hitler. O único momento que os judeus não foram marginalizados foi durante a República de Weimar, substituída pelo regime nazista logo em seguida.