Por que a Rússia saiu da Primeira Guerra Mundial? Entenda o contexto histórico

Redação Brasil Paralelo
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11/4/2022
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O triunfo da Revolução Comunista, em 1917, é um dos fatores mais fortes a explicar por que a Rússia saiu da Primeira Guerra Mundial. Como se manter lutando contra inimigos fortes quando o comunismo se instala no próprio território?

O maior país do mundo escolheu não lutar duas guerras, uma externa e uma interna, além de enfrentar problemas monárquicos, sociais e agitações ideológicas, como será explicado a seguir.

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Por que a Rússia saiu da Primeira Guerra Mundial?

A Rússia saiu da primeira guerra mundial em 1918, devido às grandes crises sociais e à revolução comunista que aconteciam no país. O cenário de caos interno impossibilitou o país de atuar no estrangeiro.

Para melhor entender como estava a Rússia e o porquê de retirar-se da Primeira Guerra Mundial, é necessário retornar ao reinado do czar Alexandre II, anos antes da Primeira Grande Guerra.

Contexto histórico da revolução comunista russa

As circunstâncias da Rússia do século XIX estavam se modificando. As pessoas já frequentavam escolas e o fluxo de informações era facilitado pela atividade inovadora dos trens. Por meio das locomotivas, passageiros de diferentes lugares nacionais e do estrangeiro podiam circular informações.

Nesse período, a Rússia era um império, governado por reis absolutistas. Seus reis eram chamados de czares, baseados nos imperadores romanos, os césares.

Nesse período, a Europa passava pelas guerras napoleônicas. Napoleão estava atacando e dominando os países chefiados pelos parentes dos czares russos.

O envio de soldados e generais para o exterior proporcionou o contato com sociedades diferentes, nas quais os reis eram limitados pelas constituições e não gozavam de total poder para determinar o destino de seus súditos.

A classe intelectual da Rússia estava sendo influenciada pelos ideais iluministas europeus durante o século XIX. O povo assimilava essas ideias devido à miséria que viviam.

O desejo por um governo do povo crescia. Um desejo pela democracia, conforme as ideias de Rousseau.

As reformas para limitar o poder real eram ignoradas pela monarquia russa, cujo ordenamento jurídico resumia-se na seguinte lei:

“Sua majestade é o monarca absoluto, não obrigado a responder por suas ações a ninguém no mundo, e tem o poder e a autoridade para governar seus Estados e terras como soberano cristão, de acordo com seu desejo e boa vontade”. 

Em outras palavras, o imperador era inquestionável. Esse fato suscitava indagações no povo. As pessoas se questionavam por que não tinham nada para comer enquanto o rei possuía vários palácios, e por que lutar a guerra dos parentes dele.

Instaurou-se um clima de instabilidade política. Embates começaram a acontecer nas ruas.

Reformas em prol da população

Era este o contexto quando Alexandre II ascendeu ao trono, em 1855. Ele reconheceu a necessidade de promover uma renovação. Por isso, decidiu reduzir significativamente a censura estatal e determinou a expansão das escolas públicas, inclusive para pobres, adotando um governo menos oligárquico. 

Para viabilizar a disseminação de escolas, Alexandre II elegeu um secretário que, durante duas décadas e meia de serviço público, inaugurou mais de trezentas instituições de ensino.

A população estava contente. Embora houvesse uma minoria radical, inspirada nas ideias de Karl Marx, a parcela moderada dos comunistas estava esperançosa e acreditava que os problemas iriam se solucionar.

  • Leitura recomendada: o plano do comunismo internacional foi real ou imaginário? Conheça a internacional comunista.

Não havia planos de algo semelhante à formação da União Soviética na mente de muitos comunistas moderados.

As reformas foram refreadas quando uma reviravolta abateu a Rússia: o principal movimento revolucionário, Vontade Popular, assassinou Alexandre II.

Alexandre II, Czar da Rússia.

Reunidos em uma assembleia familiar para debater o futuro da Rússia, os Romanov concluíram que as modificações que estavam sendo implementadas haviam surtido efeitos negativos. 

Fim das reformas e início da repressão ao povo

Essa impressão era compartilhada por Alexandre III, um homem que debitou o assassinato do monarca à frouxidão do seu governo. Foi justamente ele quem ocupou o poder. Alexandre III principiou seu reinado expondo que:

Não é fundamental incentivar as massas e os cossacos para que eles possam se escolarizar e ter a expectativa de serem mais do que já são”.

A premissa de sua governança era retroceder às reformas de seu pai, Alexandre II. Com isso, a censura foi restabelecida, as escolas foram fechadas, os jornais foram encerrados, dentre os quais o principal jornal comunista da época. Atividades universitárias foram extintas.

Na contramão de seu antecessor, Alexandre III impôs uma restrição total.

A população não havia apoiado o assassinato de Alexandre II pelo movimento Vontade Popular, pois Alexandre era benquisto pelo povo.

Os integrantes do movimento revolucionário compreenderam que a brusca mudança política de Alexandre III, um membro da mesma família, ensejava uma oportunidade para justificar o assassinato de Alexandre II.

Além disso, conceberam uma estratégia para criar na opinião pública a percepção de que o império era o culpado por todas as mazelas e dificuldades enfrentadas pelo povo.

Essa foi a preparação final para a revolução comunista.

Empenhado em gerar um ambiente favorável à revolução, o grupo não tardou a empreender uma tentativa de assassinato também a Alexandre III. As tentativas não funcionaram, incentivando ainda mais a política repressiva de Alexandre III.

Enquanto Alexandre III retirava benefícios do povo, ele dormia no luxuoso Palácio de Inverno e os russos passavam fome.

O reinado de Nicolau II favoreceu os comunistas

Após sua morte, seu filho Nicolau II assume o trono e continua as políticas do pai. Nicolau, diferente do pai, era fraco. Mesmo ambos sendo reacionários, o pai de Nicolau tinha pulso firme e tomava decisões de forma rápida, Nicolau agia de forma impulsiva e não era um bom estrategista. Este foi um dos principais porquês de a Rússia sair da Primeira Guerra Mundial.

Antes do início da Primeira Guerra Mundial, o Japão invadiu o território russo da Manchúria, em 1904, uma área distante do território central da Rússia. Nicolau II mandou o exército reagir imediatamente. Porém, muitos militares desertaram e se tornaram comunistas militantes.

O povo russo passava por muitas necessidades básicas, não havia condições para lutar por um território tão distante.

Dez anos depois, com a Rússia estando em profunda miséria, estoura a Primeira Guerra Mundial.

Quem lançou a Rússia na Primeira Guerra Mundial?

Metralhadora na Primeira Guerra Mundial.

Nicolau II lançou a Rússia na Primeira Guerra Mundial para defender seus aliados. 

O Império Austro-Húngaro ameaçou a Sérvia, cuja família monárquica era uma antiga aliada dos Romanov. Em apoio à Sérvia, o rei Nicolau II declarou guerra ao Império Austro-Húngaro.

O exército russo foi convocado; no entanto, ele já estava desmantelado. Seus integrantes fabricavam armas para matar o imperador. O povo já não aguentava o sistema imperial russo, que os havia abandonado.

De fato, o Imperador Nicolau II e toda sua família foram assassinados pelos revolucionários. Em 1917, um ano antes de a Primeira Guerra Mundial acabar, a revolução russa aboliu o império e instituiu o governo comunista da URSS, após um breve governo burguês.

Os novos governantes da Rússia fizeram com que o país saísse da I Grande Guerra. O tratado Brest-Litovsk foi assinado no início de 1918, trazendo muitos malefícios políticos para o país, mas retirando-os da guerra.

Qual país substituiu a Rússia na Primeira Guerra Mundial?

Os Estados Unidos substituíram a Rússia após a saída do país da Primeira Guerra Mundial. Mesmo tendo afirmado que não iria participar da guerra, o presidente Woodrow Wilson conseguiu inserir o país oficialmente nos conflitos europeus após um navio de civis estadunidenses ser derrubado pela marinha alemã.

Esse foi o início da hegemonia dos EUA na geopolítica mundial. O auxílio dos EUA foi fundamental para a vitória dos Aliados.

A Rússia tomou outros rumos após sair da Primeira Guerra Mundial. A antiga diplomacia foi rejeitada, o país tornou-se comunista e passou a espalhar sua ideologia nos outros países.

Invasão Bolchevique

A nova atitude da Rússia transformou o mundo de tal maneira que ainda hoje os efeitos da revolução bolchevique atuam no mundo. Desde a formação de partidos comunistas até mesmo na cultura ocidental.

Muitas das músicas e dos projetos de lei do parlamento brasileiro estão diretamente ligadas com os porquês de a Rússia ter saído da Primeira Guerra Mundial.

A importância desse momento levou a Brasil Paralelo a desenvolver um documentário que explica detalhadamente a influência bolchevique no mundo. 

No dia 24 de fevereiro de 2022, o início de uma nova guerra passou a tomar conta do noticiário.

A Rússia decide invadir a Ucrânia. Mas, o que se vê no noticiário não responde as questões principais deste acontecimento.

Analisar o presente sem entender o passado é como montar um quebra-cabeça sem todas as peças.

Diferentemente do que estão fazendo, a Brasil Paralelo decidiu dar um passo atrás para investigar o que não está sendo contado.

No dia 22 de março, foi ao ar Invasão Bolchevique, um original BP que se aprofunda no fato mais importante da história Russa: a revolução socialista de 1917, um passado que ainda pauta o presente.

O filme retrata a origem do movimento revolucionário na Rússia, a tensão política anterior à revolução de 1917 e também busca entender as ideias vigentes no maior país do mundo.

Invasão Bolchevique é o primeiro original exclusivo para assinantes da Brasil Paralelo.

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