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Saúde•5 min de leitura

USP encontra droga que pode causar overdose fatal em 32% de usuários de drogas sintéticas em SP

Pesquisa identificou fentanil na saliva de 21 pessoas. Nenhuma delas declarou ter consumido a substância, que pode levar à morte por insuficiência respiratória.

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Redação Brasil Paralelo
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Homem em situação de rua aplica Narcan, medicamento em spray nasal utilizado para reverter overdoses por opioides, em uma mulher com suspeita de overdose em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 25 de agosto de 2022. Foto: Jae C. Hong/AP.
Fonte da imagem: Homem em situação de rua aplica Narcan, medicamento em spray nasal utilizado para reverter overdoses por opioides, em uma mulher com suspeita de overdose em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 25 de agosto de 2022. Foto: Jae C. Hong/AP.

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O Brasil sempre registrou índices de consumo ilegal de opioides muito inferiores aos de países como os Estados Unidos, onde essas drogas provocaram uma grave crise de saúde pública.

Mas uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) encontrou um sinal de alerta sobre a circulação dessas substâncias na capital paulista.

O que a USP descobriu?

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP analisaram a saliva de 65 pessoas que declararam ter consumido drogas sintéticas nos quatro dias anteriores à coleta.

Foto oficial da agência antidrogas dos EUA (DEA). Mostra a substância e tem força para uma capa sobre o risco de overdose.  Crédito: DEA / EUA
Foto oficial da agência antidrogas dos EUA (DEA). Mostra a substância e tem força para uma capa sobre o risco de overdose. Crédito: DEA / EUA — DEA / EUA

O resultado surpreendeu: 21 participantes, o equivalente a 32% dos analisados, apresentaram fentanil no organismo. Nenhum deles declarou ter consumido a substância.

Uma droga que pode provocar overdose fatal

O fentanil é uma droga sintética com poder analgésico dezenas de vezes superior ao da morfina. Seu uso é autorizado na medicina para o controle da dor e em procedimentos anestésicos.

O problema ocorre quando a substância é consumida fora de ambientes médicos, especialmente sem que a pessoa saiba de sua presença.

Anthony Delio, de 36 anos, dorme em uma calçada após fumar fentanil em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 23 de agosto de 2022. Foto: Jae C. Hong/AP.
Anthony Delio, de 36 anos, dorme em uma calçada após fumar fentanil em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 23 de agosto de 2022. Foto: Jae C. Hong/AP. — Jae C. Hong/AP.

O fentanil pode diminuir drasticamente a capacidade de respirar e provocar uma overdose fatal. O perigo é ainda maior para pessoas que não estão acostumadas aos efeitos desse tipo de droga.

A pesquisa também identificou diferenças nos sintomas apresentados pelos participantes.

Entre aqueles que testaram positivo para fentanil, cerca de 91% relataram náuseas ou vômitos. Entre os que não apresentaram a substância, esse percentual foi de 43%.

As dores musculares também foram mais frequentes no primeiro grupo. Aproximadamente 62% dos participantes com fentanil apresentaram o sintoma, contra 11% dos demais.

Outro dado chamou a atenção dos pesquisadores: a presença da substância foi mais frequente entre pessoas em situação de rua e usuários com histórico prolongado de consumo de drogas sintéticas.

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Como o fentanil chegou ao organismo dessas pessoas?

Apesar da descoberta, o estudo não comprovou que o fentanil estava misturado às drogas consumidas pelos participantes.

Os pesquisadores explicam que a exposição pode ter ocorrido por diferentes caminhos. Entre as possibilidades estão a contaminação de outras drogas e o consumo de opioides não declarado durante as entrevistas.

A pesquisa também não permite concluir que 32% de todos os usuários de drogas sintéticas de São Paulo estejam expostos ao fentanil. A análise envolveu apenas 65 voluntários atendidos em serviços especializados.

Pesquisadores alertam para riscos à saúde pública

Mesmo com essas limitações, os cientistas consideram o resultado preocupante.

Para Ligia Goes Endo, primeira autora do estudo, o monitoramento das drogas em circulação é fundamental para evitar crises semelhantes às registradas em outros países.

A pesquisadora também defende a atualização dos protocolos de emergência e o acesso a medicamentos como a naloxona, utilizada para reverter overdoses por opioides.

O estudo foi publicado na revista científica Drug and Alcohol Review e divulgado pela USP em outubro de 2026.

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