O deputado reagiu ao depoimento, no Congresso dos Estados Unidos, de Anthony Fauci, que foi conselheiro médico-chefe de Joe Biden durante a pandemia.

Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a falar sobre a pandemia de Covid-19 em seu Instagram. O vídeo já atingiu mais de 28 milhões de pessoas. Nele, o deputado defende que o tempo mostrou que as ideias defendidas por Jair Bolsonaro estavam corretas.
O conteúdo foi criado em um modelo de reação às falas de Anthony Fauci no Congresso dos EUA e a trechos de jornalistas, como os da Globo e da Fox News. Muitos canais produziram vídeos em sintonia com Nikolas e os comentários em sua postagem aprovam suas falas.
Por outro lado, outros criadores de conteúdo e pesquisadores discordam da visão de Nikolas Ferreira.
O fisioterapeuta Rogério Liporaci afirmou que o silêncio de Fauci nessa convocação do Congresso e suas falas anteriores não mostram que remédios como ivermectina e cloroquina funcionavam contra a Covid-19.
Ele pontua que, mesmo que erros na gestão da pandemia possam ter sido cometidos, a eficácia dos tratamentos não é atestada por apenas uma pessoa, como Fauci, mas por uma série de pesquisas sobre os temas.
Nos comentários, Rogério recebeu elogios de pessoas como a influenciadora e pesquisadora Mari Krüger e o pesquisador Leo Costa.
A seguir, veja os dois vídeos que sintetizam os argumentos de diferentes lados.
Rogério Liporaci argumenta que a audiência de Anthony Fauci no Congresso não prova que as vacinas contra a Covid-19 não funcionam. Segundo ele, é necessário separar as discussões políticas e jurídicas das evidências científicas.
Liporaci pontua que Fauci respondeu, em uma audiência anterior, sobre temas como distanciamento, máscaras, fechamento de escolas e pesquisas realizadas em Wuhan.
A afirmação de que a distância de dois metros não surgiu de um grande ensaio clínico significaria apenas que essa medida específica foi baseada no consenso técnico disponível naquele momento e não que o distanciamento fosse completamente inútil.
Sobre a audiência de 2026, Rogério afirma que Fauci invocou a Quinta Emenda para não responder a perguntas que poderiam ser usadas contra ele em um processo criminal. Para ele, isso representa o exercício de um direito constitucional e, por si só, não comprova culpa nem invalida as pesquisas sobre vacinas.
O fisioterapeuta também defende que as vacinas passaram pelas etapas essenciais de testes clínicos.
O desenvolvimento teria sido acelerado pela sobreposição de algumas fases, pelo alto investimento, pela colaboração internacional e pela grande circulação do vírus e não pela eliminação dos procedimentos de segurança.
Por fim, Rogério reconhece que foram identificados efeitos adversos raros, como miocardite e determinados casos de trombose, mas afirma que eles foram detectados pelo sistema de farmacovigilância e incorporados às recomendações.
Sua conclusão é que decisões políticas podem ser questionadas, mas o depoimento de uma única autoridade não é suficiente para derrubar evidências produzidas por diversos estudos e grupos independentes.
Nikolas Ferreira argumenta que Anthony Fauci, uma das principais autoridades de saúde dos Estados Unidos durante a pandemia, evitou responder a 111 perguntas no Congresso e que seus documentos pessoais revelariam contradições entre o que dizia em público e o que defendia de forma privada.
Segundo fontes trazidas pelo deputado, Fauci teria mudado de posição sobre a cloroquina após Donald Trump apoiar o medicamento, além de ter ignorado supostas evidências favoráveis à ivermectina.
Nikolas usa esses pontos para afirmar que Jair Bolsonaro estava certo ao defender esses tratamentos e criticar as medidas adotadas durante a pandemia.
Ele também questiona o silêncio de Fauci sobre o uso de tecidos de fetos abortados em pesquisas financiadas pelo governo e cita um relatório do Congresso que, segundo sua interpretação, teria concluído que o distanciamento social não possuía base científica suficiente, que as máscaras foram ineficazes, que os lockdowns causaram mais prejuízos do que benefícios e que a miocardite foi um efeito adverso reconhecido das vacinas.
Por fim, Nikolas responsabiliza a imprensa, especialmente a Globo, pela defesa das restrições e pela exposição de comerciantes que descumpriam as regras.
Sua conclusão é que muitas medidas teriam sido motivadas por interesses políticos e midiáticos e não apenas por critérios científicos.