Principal voz da resposta americana à Covid-19 invocou a Quinta Emenda 111 vezes. Republicanos o acusam de mentir e esconder informações; Fauci afirma ser alvo de perseguição política.

Anthony Fauci, uma das principais autoridades de saúde dos Estados Unidos durante a pandemia de Covid-19, voltou a depor perante o Congresso americano. Aos 85 anos, o médico foi questionado após a divulgação de mais de mil páginas de seus diários pessoais.
Durante a audiência, Fauci invocou a Quinta Emenda 111 vezes e permaneceu em silêncio por quase três horas.
Esse dispositivo da Constituição americana permite que uma pessoa se recuse a responder perguntas quando suas declarações podem ser usadas contra ela em um processo criminal.
Senadores republicanos acusaram Fauci de mentir sobre a origem do vírus, apoiar medidas sanitárias sem comprovação científica suficiente e usar sua influência para obter mais de R$ 4,5 milhões em prêmios científicos.
O senador Rand Paul, presidente da comissão, afirmou que a atuação do médico contribuiu para a perda de confiança da população nas autoridades científicas.
“É o segredo que destrói a confiança, é a arrogância que destrói a confiança, é a censura que destrói a confiança e é a recusa em admitir o erro que destrói a confiança”, disse Paul.
Anthony Fauci, por outro lado, afirma sofrer uma campanha de perseguição promovida por políticos republicanos. O médico também declarou já ter recebido ameaças de morte.
Segundo ele, a nova convocação teve como objetivo fazê-lo produzir alguma declaração que justificasse as promessas de Rand Paul de colocá-lo “atrás das grades”.
“A única conclusão a que posso chegar é que o único motivo pelo qual ele está me convocando perante esta comissão é para me fazer dizer algo, qualquer coisa, que possa justificar suas repetidas promessas públicas de que eu acabe, em suas palavras, ‘atrás das grades’”, afirmou Fauci.
Antes de deixar a presidência dos Estados Unidos, Joe Biden concedeu a Fauci um perdão preventivo por possíveis crimes federais relacionados à sua atuação pública até 2025.
Os democratas afirmaram que a medida buscava protegê-lo de ameaças de processos feitas por republicanos. Em 2026, diante das novas acusações, os advogados de Fauci o orientaram a invocar a Quinta Emenda e permanecer em silêncio.
Rand Paul considera abusiva essa decisão. Para o senador, o perdão já protege Fauci de processos criminais federais relacionados ao período abrangido e, por isso, o direito ao silêncio não poderia ser usado apenas para evitar constrangimento, críticas públicas ou a exposição de possíveis contradições.
A defesa de Fauci sustenta que a invocação da Quinta Emenda é um direito constitucional e não representa, por si só, uma admissão de culpa.
Novos desdobramentos do caso devem surgir em breve. A Brasil Paralelo prepara uma investigação inédita sobre Anthony Fauci e as decisões tomadas durante a pandemia.
A produção estreia no dia 10 de agosto.