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Ele conquistou o topo do mundo, mas teve que virar balconista para sobreviver

Ele abriu caminho no gelo, chegou ao ponto mais extremo do planeta e viu outro homem levar a glória.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Henson
Fonte da imagem: Everett Collection Inc/Alamy)

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Em 1909, uma expedição americana chegou a um dos pontos mais extremos do planeta: o Polo Norte.

Durante décadas, livros de história repetiram o mesmo nome como símbolo daquela conquista: Robert Peary, o comandante da missão.

No entanto, a aventura teve outro protagonista, que acabou sendo deixado de lado.

Ao lado de Peary estava Matthew Henson, um explorador negro que conhecia os caminhos do Ártico, falava com os inuítes, conduzia trenós, lidava com os cães e dominava as técnicas de sobrevivência que tornaram a viagem possível.

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A parceria que abriu caminho até o Polo Norte

Henson nasceu em 1866, apenas um ano depois do fim da Guerra Civil americana. Ficou órfão ainda jovem e, aos 12 anos, foi para o mar como grumete.

Durante anos, aprendeu navegação, viajou por diferentes regiões do mundo e construiu a experiência que mais tarde chamaria a atenção de Robert Peary.

Os dois se conheceram em Washington, quando Henson trabalhava em uma loja. Peary ficou impressionado com suas habilidades e o contratou para uma expedição à Nicarágua.

Depois disso, essa parceria levou os dois para o Ártico.

Por quase duas décadas, Henson acompanhou Peary em sucessivas tentativas de alcançar o Polo Norte.

Henson tornou-se peça central da operação

Enquanto Peary era o rosto público da expedição, Henson era o homem que fazia a missão funcionar.

A equipe enfrentou temperaturas extremas, gelo em movimento e canais de água aberta que podiam cortar o caminho de volta a qualquer momento.

Um a um, os grupos de apoio retornaram. No trecho final, restaram Peary, Henson e quatro companheiros inuítes.

Segundo o relato de Henson, ele seguia à frente na marcha final. Em determinado momento, teria ultrapassado a área que Peary depois identificaria como o Polo Norte.

Quando o grupo voltou ao ponto marcado, Henson afirmou ter visto suas próprias pegadas já impressas no gelo.

Ainda assim, quando a expedição retornou aos Estados Unidos, o crédito ficou quase todo com Peary.

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Do Polo Norte ao balcão da alfândega

Peary foi tratado como um herói nacional. Recebeu homenagens, promoção, medalhas e lugar garantido nos livros de história.

Henson, que havia passado quase 20 anos ao lado dele e que possivelmente pisou primeiro no topo do mundo, teve outro destino.

Acabou trabalhando como funcionário da alfândega em Nova York e só seria reconhecido oficialmente décadas depois.

Aos poucos, seu nome voltou à história.

Henson recebeu honrarias, foi reconhecido pelo Explorers Club, ganhou homenagens oficiais e, muitos anos depois de sua morte, teve seus restos mortais transferidos para o Cemitério Nacional de Arlington.

A pergunta sobre quem chegou primeiro ao Polo Norte ainda é debatida. Há dúvidas até sobre a precisão da rota de Peary.

Mas se aquela expedição chegou ao ponto mais distante do planeta, isso não aconteceu apenas por causa do homem que recebeu a glória.

Aconteceu também por causa de Matthew Henson, o explorador esquecido que abriu caminho no gelo e que a história demorou demais para reconhecer.

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