Médico nega irregularidades e diz ser alvo de perseguição política, mas mensagens mostram contradição entre o que ele dizia publicamente e em privado.

O nome de Anthony Fauci está no centro de uma polêmica sobre a condução da pandemia de Covid-19 nos Estados Unidos.
Ele já vinha sendo questionado por contradições entre suas declarações públicas e registros privados de seus diários pessoais.
Agora, novas mensagens divulgadas por senadores republicanos reforçaram esse ponto.
Os textos mostram que, em janeiro de 2021, Fauci discutiu em privado uma preocupação teórica sobre reações à segunda dose de vacinas de mRNA em gestantes.
Na conversa, ele escreveu que febre e outras reações imunológicas “teoricamente poderiam estar associadas a aborto espontâneo no primeiro trimestre”.
Pouco mais de uma semana depois, em entrevista, Fauci disse que mais de 10 mil gestantes já haviam recebido vacinas contra a Covid-19 e que não havia sido encontrado “nenhum sinal de alerta”.
A divulgação das mensagens deu novo fôlego às críticas de republicanos, que acusam Fauci de ter tratado publicamente como seguro um tema que, em privado, ainda era discutido com cautela.
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Em entrevista ao Journal of the American Medical Association, em 3 de fevereiro de 2021, Fauci afirmou que mais de 10 mil gestantes já haviam recebido vacinas contra a Covid-19.
Segundo ele, nenhum sinal de alerta havia sido encontrado.
Durante uma coletiva na Casa Branca, ele repetiu o argumento. Disse que cerca de 20 mil gestantes já haviam sido vacinadas e que as autoridades não haviam observado sinais de risco.
A diferença entre a cautela privada e a mensagem pública abriu nova frente de ataque contra Fauci.
Rand Paul acusou o médico de dizer uma coisa em público e outra em particular. Para o senador, Fauci teria minimizado riscos em vez de reconhecer incertezas sobre as vacinas.
Outros republicanos foram além. O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, acusou Fauci de reter informações relevantes. A ex-deputada Marjorie Taylor Greene pediu a prisão do médico.
As mensagens não provam, por si só, que as vacinas causaram abortos espontâneos.
O que elas mostram é que havia uma preocupação teórica discutida internamente por autoridades de saúde em um momento em que a vacinação avançava e os dados sobre gestantes ainda eram limitados.
O novo episódio se soma a uma crise política maior em torno de Fauci.
Recentemente, ele voltou a depor no Congresso americano após a divulgação de mais de mil páginas de seus diários pessoais.
Durante a audiência, invocou a Quinta Emenda 111 vezes e permaneceu em silêncio por quase três horas.
Esse dispositivo permite que uma pessoa se recuse a responder perguntas quando suas declarações podem ser usadas contra ela em um processo criminal.
Republicanos acusam Fauci de esconder informações sobre a pandemia, a origem da Covid-19 e as decisões tomadas durante a emergência sanitária.
Fauci nega irregularidades e afirma ser alvo de perseguição política.
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