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Política5 min de leitura

Governadora defende esterilização forçada de mulheres em vídeo polêmico

Raquel Lyra se desculpou da fala e fez vídeo falando que isso não reflete suas crenças pessoais.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Rachel Lyra pedindo desculpas e falando para fazer laqueadura em mulheres
Fonte da imagem: Reprodução redes sociais

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Faz sem ela saber”, foi isso que disse a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), sobre a realização de laqueaduras

O procedimento se baseia em cortar ou bloquear as trompas uterinas para evitar que os óvulos possam ser fertilizados.

O vídeo que viralizou nas redes sociais mostra ela dizendo isso enquanto estava na inauguração da ala pediátrica do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns (PE).

Uma mulher que parecia ser funcionária de um hospital falava sobre uma gestante que já tinha outros 7 filhos.

Essa gravação foi datada de 2025 e começou a circular nas redes sociais após publicação do portal Metrópoles.

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Governadora pede desculpas

Após a polêmica em torno da fala, a governadora chegou a publicar um vídeo sobre o caso em suas redes sociais.

Ela começou dizendo que sua fala infeliz não representa sua visão em relação às mulheres

Como mãe e como mulher, eu sei o desafio que é decidir sobre planejamento familiar. Essa fala minha em nada traduz o respeito que eu tenho pelas mulheres.”

https://www.instagram.com/reels/Ddg7UvMICYu/

Em seguida, pediu desculpas e afirmou que apenas defende o planejamento familiar dentro da rede pública de saúde:

Eu peço desculpas, foi uma fala equivocada. Eu não tenho compromisso com o erro, o que tenho trabalhado sempre como governadora e prefeita é para que toda mulher tenha direito à informação e ao planejamento familiar na rede pública de saúde”.

Por fim, acusou a publicação de ser uma forma de seus opositores tentarem “desviar o verdadeiro foco do debate”.

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Fala da governadora tem raízes antigas

Apesar da fala da governadora aparentemente não ter se transformado em política isso já aconteceu em outros países.

Um dos exemplos mais infames foi o do governo de Alberto Fujimori, no Peru. Na década de 1990 ele procurou uma campanha radical de planejamento familiar.

Foram criados mutirões de saúde em regiões pobres do país, principalmente com maioria indígena.

Muitas mulheres levaram seus filhos para receber a vacina e fazer alguns exames, mas acabaram esterilizadas para sempre.

Algumas eram intimidadas pelos médicos, que as pressionaram dizendo que seus filhos viveriam na miséria.

Em alguns casos, as vítimas eram informadas de maneira errada e acreditavam que o procedimento seria temporário.

Muitas não falavam espanhol e foram instruídas a assinar documentos para realizar um procedimento sem nem saber para que servia.

Atualmente, o caso é visto como uma grave violação dos direitos humanos por organizações internacionais como ONU e OEA.

Esse não foi o único governo a declarar guerra à natalidade através de políticas tão radicais e violentas. 

A China também registrou casos graves de violações dos direitos humanos durante os anos da política do filho único, a partir de 1979.

Mulheres chegavam a ser arrastadas por membros do Partido Comunista Chinhês até as mesas de cirurgia, onde eram obrigadas a abortar e passavam pela esterilização.

Em alguns casos, as autoridades locais chegavam a tomar propriedades, destruir casas e deixar famílias inteiras na miséria por causa de filhos não autorizados.

Esses são alguns dos exemplos do que pode acontecer quando governos baseiam suas políticas na visão malthusiana.

Essa corrente de pensamento criada pelo clérigo anglicano Thomas Malthus alega que o aumento da população poderá levar ao colapso social.

Sua análise afirmava que os recursos aumentam em uma velocidade menor do que o número de pessoas, alimentando o risco de disputas por causa desses recursos.

Ao longo das décadas, essa visão se transformou, alegando, por exemplo, que a pobreza poderia ser eliminada pelo controle populacional.

Na década de 1960, o governo e empresas americanas começaram a difundir essa ideia. Um dos exemplos é o desenho da Disney que tenta levar essa visão para as crianças:

A Brasil Paralelo investigou o impacto do pensamento malthusiano no mundo moderno no documentário Cortina de Fumaça. Assista completo abaixo:

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