Desaparecidos chegam a mais de 4 mil. Mesmo assim, equipes de resgate seguem escavando túneis em busca de sobreviventes.

Uma semana depois da avalanche de lama que devastou vilarejos no Himalaia, famílias nepalesas começaram a se despedir sem ter um corpo para enterrar.
Em cerimônias hindus, parentes de desaparecidos queimaram bonecos feitos de palha, representando os entes queridos que ainda não foram encontrados.
"Precisamos fazer isso para libertar a alma dele, para que fique em paz e feliz onde quer que esteja", disse Dolma Newar Tamang, durante o funeral do marido.
Tudo começou em 26 de agosto, quando uma geleira colapsou. O resultado foi uma onda de água, rochas, lama e detritos que atingiu áreas do Nepal e da China.
O saldo já passa de 1.200 mortos e mais de 4.200 desaparecidos, segundo dados dos dois países.
Entre eles estão mais de 800 estrangeiros, vindos de mais de 30 nações diferentes.
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Mesmo com as cerimônias fúnebres já acontecendo, as equipes de resgate não desistiram. O principal foco está na usina hidrelétrica de Rasuwagadhi, perto da fronteira com a China.
Segundo autoridades, cerca de 46 pessoas podem estar presas dentro de uma sala isolada em um dos túneis.
Até agora, 279 pessoas já foram resgatadas dos projetos hidrelétricos atingidos. Outras 639 ainda são consideradas desaparecidas.
A estimativa da ONU é de que o desastre produziu pelo menos 2,2 milhões de toneladas de detritos entre construções, rochas e sedimentos. É um volume equivalente ao peso de cerca de seis edifícios de grande porte.
O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, classificou a tragédia como "um sinal sério de que os riscos na região do Himalaia estão aumentando na mesma proporção das mudanças climáticas".
Cientistas confirmam que a região está esquentando rapidamente, o que acelera o derretimento das geleiras que abastecem de água milhões de pessoas.
Nepal, Índia e China seguem trabalhando juntos nas buscas, com apoio de especialistas de outros países, incluindo Coreia do Sul e Austrália.
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