Turquia leva ofensiva contra o movimento LGBT para a ONU após megaoperação policial
Ativista acusa governo de “tortura” e “maus tratos” contra militantes que defendem a causa.

Um dos discursos mais polêmicos na Assembleia Geral da ONU foi a fala do presidente turco Recep Tayyip Erdogan.
Conhecido por defender uma posição conservadora do Islã, ele aproveitou o espaço para criticar o apoio da ONU à ideologia de gênero.
Em sua visão, as crianças estariam sendo o principal alvo dessa narrativa, que estaria enfraquecendo as famílias:
"As políticas globais de neutralização de gênero (...) se transformaram em um cerco que tem como alvo as crianças inocentes, assim como a instituição da família".
Erdogan seguiu dizendo que a única maneira de frear essas narrativas seria defendendo as famílias tradicionais e combater os lobbies internacionais:
"Só podemos romper este cerco protegendo a família formada por mulheres e homens... A Turquia continuará tomando iniciativas para proteger as famílias e as crianças, apesar dos ataques de grupos lobistas".
O experimento com crianças conduzido por um dos primeiros nomes nos estudos sobre de gênero é o tema do primeiro filme internacional da Brasil Paralelo, O Menino Que Se Chamava Brenda. Assista ao trailer completo abaixo:
Operação mira ativistas LGBT no país
Poucos dias antes do encontro entre líderes mundiais, a polícia turca avançou contra militantes do movimento LGBT.
Mais de 150 pessoas foram detidas durante uma operação que envolveu o bloqueio de sites, batidas em sedes de ONGs e prisões em diversas províncias.
Segundo a ativista ativista Yildiz Tar disse à Globo, cerca de 80 pessoas seguem presas e estariam enfrentando condições duras:
"Eles estão em condições muito difíceis nas prisões… Enfrentaram tortura, foram colocados na solitária e ficaram sem água por cinco dias", relatou.
As batidas faziam parte da operação "Minha Família Está Segura", que segundo o governo visa proteger as crianças e os valores familiares.
O ministro da Justiça turco chegou a dizer que a operação mirava 162 suspeitos, nove associações e 13 empresas em 15 províncias.
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