Assassino pode não ter agido sozinho
O técnico de enfermagem não foi o único preso pelas mortes. A polícia levou outros dois suspeitos de envolvimento nos crimes.
Uma delas era uma mulher de 22 anos, que esteve com o técnico em quase todos os momentos.
Ela chegou a vigiar o local para avisar se outra pessoa estivesse chegando enquanto ele preparava e cometia os crimes.
A polícia também cumpriu três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia (DF) e Águas Lindas (GO).
Caso se assemelha a serial killer americano
O caso de Taguatinga se assemelha aos assassinatos cometidos pelo enfermeiro Charles Cullen, nos EUA.
Ele matou dezenas de pacientes com overdoses de insulina e contaminou sacos de soro para causar mortes aleatórias.
Cullen foi descoberto após consumir medicamentos do estoque, o que levou a sua demissão.
Pouco tempo depois, ex-colegas denunciaram o serial killer à polícia. Cullen assumiu os crimes em 2003.
O serial killer disse que cometeu 40 homicídios ao longo de 16 anos, porém há estimativas de que ele possa ter sido responsável por até 400 mortes.
O motivo para os assassinatos seria “piedade com os pacientes”. Ele afirmou que matou para “acabar com o sofrimento” deles.
Ele foi condenado e segue preso por 11 prisões perpétuas, sem possibilidade de condicional até 10 de junho de 2388.
Hospital Anchieta divulgou nota sobre o caso
Em uma nota, o hospital declarou que foi responsável pelas investigações que levaram à prisão dos três suspeitos e disse prestar apoio à família.
Leia a nota completa:
“O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.
Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que, em menos de 20 dias, resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.
Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos – os quais haviam sido desligados da instituição –, as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.
Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora.
Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de Justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.
O hospital entende que o segredo de Justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.
O hospital, enquanto também vítima da ação desses ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça.”