Porta-voz da empresa ofereceu entregar nomes de compradores à polícia.

A Shein enfrenta uma das maiores crises de imagem de sua história. Autoridades francesas abriram uma investigação contra a empresa por comercializar bonecas sexuais com aparência de criança.
A denúncia partiu da Direção Geral de Concorrência, Consumo e Repressão de Fraudes (DGCCRF), que apontou a presença de produtos com “Outras gigantes chinesas no mercado de e-commerce, como AliExpress, Temu e Wish, também estão sendo investigadas pelo mesmo crime.”.
Uma dessas bonecas, com cerca de 80 centímetros, era anunciada segurando um urso de pelúcia e acompanhada de textos de cunho sexual explícito.
Segundo Alice Vilcot-Dutarte, representante do órgão, “basta imaginar uma criança navegando na plataforma em busca de uma boneca e se deparando com isso”.
Em resposta imediata, a Shein baniu todos os itens semelhantes, anunciou a retirada dos produtos do ar e abriu uma investigação interna.
A crise se intensificou com a ameaça direta do ministro francês da Economia, Roland Lescure, de banir a marca do país caso os produtos reaparecessem.
No esforço para conter os danos, o porta-voz da marca na França, Quentin Ruffat também afirmou que está disposta a cooperar integralmente com as autoridades:
“Nós cooperaremos plenamente com as autoridades judiciais… Seremos completamente transparentes com as autoridades. Se nos pedirem, cumpriremos… Implementaremos as salvaguardas necessárias para garantir que isso não volte a acontecer”.
A declaração foi feita durante uma entrevista, na qual ele disse que estaria disposto a entregar o nome das pessoas que compraram as bonecas para as autoridades.
A medida, apesar de polêmica, tenta reposicionar a empresa diante da pressão pública e judicial.
Donald Tang, CEO global da Shein, assumiu responsabilidade pessoal pelo ocorrido e prometeu reforçar os mecanismos de controle sobre os vendedores terceiros que usam a plataforma.
A controvérsia ganhou ainda mais repercussão por ocorrer às vésperas da inauguração da primeira loja física da Shein no mundo, no tradicional BHV Marais, em Paris.
A decisão da loja de departamentos de receber a marca provocou protestos de outras grifes e parte do público francês.
Não é a primeira vez que a Shein se envolve em polêmicas na Europa. Apenas em 2025, a empresa foi multada três vezes na França, totalizando €191 milhões, cerca de R$1,18 bilhão, por:
Atualmente, a Comissão Europeia também conduz investigações sobre riscos associados a produtos ilegais vendidos na plataforma.
Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa.
Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos.
Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo.