Deputado Antônio “Doido” joga celular pela janela durante operação de busca e apreensão
Parlamentar é investigado por esquema de corrupção envolvendo emendas parlamentares.

A Polícia Federal (PF) encontrou aparelhos celulares arremessados pela janela enquanto cumpriam um mandado de busca e apreensão no apartamento do deputado federal Antônio Leocádio dos Santos (MDB‑PA), conhecido como Antônio Doido.
A PF divulgou vídeos nos quais os aparelhos aparecem no gramado do edifício onde o deputado vive em Brasília.
Além dos celulares recuperados, os agentes encontraram dinheiro em espécie no imóvel.
A Operação Igapó investiga uma organização suspeita de desviar recursos públicos de emendas parlamentares e do governo do Pará.
Segundo a PF, o esquema é responsável por processos de licitação, com o uso de empresas de fachada.
O mandado de busca e apreensão foi autorizado pelo ministro Flávio Dino, do STF, relator do caso. A decisão também determinou:
- quebra de sigilo telefônico e telemático de investigados;
- apreensão de aparelhos eletrônicos relacionados à investigação;
- bloqueio de cerca de R$17 milhões em contas ligadas ao deputado, sua companheira e outras pessoas e empresas envolvidas.
Pedidos de busca no gabinete parlamentar do deputado foram negados, sob a justificativa de que a investigação analisa fatos ocorridos no Pará.
Conforme a PF, as investigações começaram em outubro de 2024 a partir de material obtido em um telefone do policial militar aposentado, Francisco Galhardo.
Ele está ligado à movimentação de quantias significativas de dinheiro em espécie a mando do deputado, segundo a PF.
Em 2024, Galhardo foi preso em flagrante em uma agência bancária no Pará com R$4,6 milhões em espécie ligados a contratos públicos suspeitos.
“Válido assinalar que foi constatado Antônio Doido também utiliza a configuração de mensagens temporárias do WhatsApp, de maneira que somente registros de mensagens do dia 4 de outubro 2024 estavam armazenados no celular de Francisco Galhardo”, observaram os investigadores segundo a Agência Brasil.
A investigação indica que o grupo operava ao menos desde 2023, desviando recursos e utilizando empresas ligadas ao deputado e sua companheira para ocultação de valores.
No total, a PF cumpriu 31 mandados de busca e apreensão no Pará e no Distrito Federal, incluindo residências e locais vinculados a investigados.
Entre as medidas autorizadas também estão bloqueios de contas e apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos.
O secretário de Obras Públicas do Pará, Benedito Ruy Santos Cabral, foi alvo de buscas por indícios de favorecimento em processos licitatórios relacionados às empresas investigadas, conforme relatório policial.
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