Tensão na Colômbia
A chegada da Lev Tahor ao país ocorreu no final de outubro e rapidamente chamou atenção dos moradores de Yarumal. Migração e autoridades locais agiram após confirmar que parte dos integrantes tinha histórico criminal ligado à exploração de menores.
A comunidade judaica colombiana celebrou a operação. O representante Marcos Peckel afirmou que o grupo “não tem qualquer vínculo com o judaísmo tradicional” e que se opõe às leis e tradições religiosas que dizem seguir.
A preocupação agora é impedir que a Colômbia se torne um novo ponto de refúgio. O país possui áreas remotas e pouco vigiadas, cenário que a seita já explorou em outras regiões do continente.
O que é a Lev Tahor?
A seita surgiu em Jerusalém, em 1988, fundada pelo rabino Shlomo Helbrans. O nome, “Coração Puro”, contrasta com o histórico de acusações acumuladas desde os anos 1990.
Estimado entre 250 e 500 membros, o grupo adotou uma interpretação extremamente rígida do judaísmo hassídico e passou a viver em deslocamentos constantes, fugindo de investigações.
Em todos os casos, denúncias seguiam o mesmo padrão: negligência infantil, isolamento extremo, casamentos arranjados de menores, abusos físicos e psicológicos.
Os problemas com a Justiça começaram cedo. Em 1993, Helbrans foi condenado por sequestrar um adolescente em Nova York. Após ser deportado, continuou a liderar a seita no Canadá, até morrer em 2017 durante um ritual religioso no México.
O comando passou então ao seu filho, Nachman Helbrans, posteriormente preso em 2018 em um caso de sequestro nos EUA.
Um histórico de práticas extremas
A vida dentro da seita inclui:
- código de vestimenta rígido, mulheres vestidas de preto da cabeça aos pés;
- alimentação própria, sem produtos industrializados e com proibições incomuns;
- rejeição ao uso de eletrônicos;
- educação restrita, com relatos de crianças incapazes de cumprir níveis básicos de aprendizado;
- rituais internos de disciplina denunciados por ex-membros como abusivos.
Nos últimos anos, os casos mais graves envolveram 160 crianças resgatadas na Guatemala, pedidos de asilo no Irã, expulsões comunitárias e operações policiais em vários países.
Casos como o da Colômbia mostram como redes de abuso e tráfico podem se esconder atrás de estruturas fechadas, rígidas e protegidas pela aparência de autoridade religiosa.
É esse tipo de dinâmica,silenciosa, organizada e difícil de rastrear, que Tim Ballard enfrenta há anos em missões internacionais de combate ao tráfico infantil.
O documentário Guerra Oculta aprofunda justamente esse universo: como esses grupos operam, por que conseguem agir por tanto tempo e o que é necessário para desmantelá-los.
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