Todos podem ser santos?
Décadas atrás, um documento da Igreja Católica afirmou que a santidade não é privilégio de poucos, mas um caminho aberto a todos.
“Na Igreja, nem todos sigam pelo mesmo caminho, todos são, contudo, chamados à santidade”., diz o documento Lumen Gentium.
Essa ideia aparece na diversidade de pessoas reconhecidas como santas ao longo da história.
Religiosos, filósofos, trabalhadores, casados, mártires, pessoas que enfrentaram regimes autoritários e até adolescentes ligados à tecnologia, como Carlo Acutis, canonizado em setembro de 2025, aparecem entre os reconhecidos pela Igreja.
O que une essas trajetórias é como viveram suas vidas.
Para o cristianismo, santo é quem busca viver como Cristo. Essa imitação é entendida como um processo vivido no dia a dia.
Em suas cartas, o apóstolo Paulo afirma que essa é a vontade de Deus.
“Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1 Tessalonicenses 4,3).
Para o papa João Paulo II, o santo não é alguém que não peca, mas aquele que não desiste. A santidade aparece como perseverança na prática das virtudes.
Para os cristãos, os santos funcionam como referências morais que mostram como valores podem ser vividos na prática.
A vida de um santo é um modelo de como viver o bem em circunstâncias reais.
Para apresentar esses modelos, a Igreja organizou ao longo dos séculos o reconhecimento da santidade.
Qual o processo para declarar alguém santo?
A Igreja não “cria santos”, mas reconhece publicamente que determinada pessoa viveu de forma exemplar e pode ser proposta como modelo.
Esse reconhecimento ocorre após a morte do candidato, por meio de um processo formal conhecido como canonização.
Para afirmar que alguém é santo há um longo processo que envolve análises técnicas.
Entre as figuras mais conhecidas desse processo está o chamado “advogado do diabo”, nome popular do Promotor da Fé.
Sua função é questionar a causa, levantar dúvidas e tentar demonstrar que a pessoa não reúne os critérios exigidos. O papel existe justamente para evitar conclusões apressadas.
Em algumas etapas, médicos, cientistas e outros especialistas, inclusive de outras religiões ou ateus, participam da análise dos supostos milagres. O objetivo é verificar se existe alguma explicação natural para os acontecimentos.
As etapas do processo
O processo de canonização segue etapas progressivas.
A primeira é o título de Servo de Deus, concedido quando o bispo local inicia oficialmente a investigação. Nesse momento, são reunidos documentos e testemunhos sobre a vida da pessoa.
Se for reconhecida a prática das virtudes cristãs em grau elevado, o papa pode declarar o candidato Venerável. Essa etapa não permite culto público, mas autoriza orações privadas.
A beatificação vem em seguida. Para mártires, basta o reconhecimento do martírio. Para os demais, exige-se um milagre comprovado, geralmente uma cura sem explicação médica.
Com isso, a pessoa passa a ser chamada de Beato, podendo ser venerada em contextos locais.
A canonização é a etapa final. Normalmente requer um segundo milagre ocorrido após a beatificação. Em casos excepcionais, o papa pode dispensar essa exigência.
A partir daí, o reconhecimento se estende por todo o mundo.
Há também a canonização equipolente, quando o papa reconhece um culto antigo e já consolidado, sem passar por todas as etapas formais.
Por que precisamos de santos?
Ao longo da história, os homens sempre voltam o olhar para exemplos concretos Para pessoas que passaram por conflitos e dificuldades em suas vidas e conseguiram manter um sentido.
Os santos aparecem nesse contexto. Suas histórias falam de como tomaram suas decisões e orientaram suas vidas mesmo em cenários comuns ou adversos.
Elas mostram como valores podem ser vividos quando tudo ao redor aponta para o contrário.
Ao reconhecer essas trajetórias, a Igreja mantém vivos exemplos que atravessam gerações. Referências humanas que podem responder a um questionamento antigo: como viver bem?
É a partir desse olhar que a Brasil Paralelo lança sua nova série Vida dos Santos. A produção mostra como diferentes homens e mulheres, em épocas e contextos distintos, enfrentaram seus desafios buscando viver com coerência.
Histórias marcadas por descobertas, guerras, perseguições e propósito.
No dia 26 de janeiro, às 20h, estreia gratuitamente o primeiro episódio da série.
Um convite para conhecer essas trajetórias de perto e entender por que, mesmo séculos depois, continuam sendo lembrados.
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