Quem financia as ideias que influenciam a segurança pública brasileira?
Capitão Antunes faz denúncia sobre organizações estrangeiras que influenciam políticas e estudos no país.

“Matar os polícia é a nossa meta”.
Essa é a frase de abertura da música Apologia, lançada em 2010 pelo MC Daleste.
Enquanto algumas músicas retratam policiais como inimigos, pesquisas acadêmicas questionam a atuação e formação militar, o comportamento dos agentes e até as canções utilizadas nos treinamentos.
Há também discussões sobre modelos de segurança pública sem polícia e sem prisões.
Todos esses pontos levaram o capitão da Polícia Militar Alexandre Antunes Ribeiro a se questionar:
Quem financia a produção e a divulgação dessas ideias? E qual é a influência delas sobre as políticas públicas brasileiras?
Ele identificou um histórico de financiamento estrangeiro em instituições brasileiras dedicadas ao estudo da segurança pública.
Sua preocupação é compreender como pesquisas financiadas por organizações internacionais podem chegar ao debate político e influenciar decisões do Estado.
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Financiamento estrangeiro de pesquisas sobre policiais
Um dos exemplos citados por Antunes é o Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP), que possui histórico de financiamento das fundações Ford e Rockefeller.
Em agosto de 2025, o núcleo divulgou uma análise sobre como canções militares poderiam incentivar comportamentos violentos entre policiais.
O pesquisador Renato Alves argumentou que músicas utilizadas em treinamentos reforçam uma visão da atividade policial baseada no confronto.
“Essas canções trazem a ideia de derrubar e matar como se policiamento fosse isso”,
Outro estudo investigou como a formação dos policiais militares de São Paulo poderia reproduzir preconceitos raciais durante abordagens.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública também recebeu apoio internacional. Criada em 2006, a instituição contou com recursos das fundações Ford, Tinker e Open Society.
O Instituto Sou da Paz e o Instituto Igarapé também registram apoio da Open Society em seus históricos financeiros.
As pesquisas dessas organizações não ficam restritas às universidades.
Em 2018, por exemplo, o Fórum, o Sou da Paz e o Igarapé apresentaram 35 propostas de segurança pública destinadas aos candidatos à Presidência.
O caso mostra como a produção de conhecimento pode chegar diretamente à formulação de políticas públicas.
Quem está por trás dos financiamentos?
Uma das organizações mencionadas é a Open Society Foundations, criada pelo bilionário George Soros.
A fundação financia projetos em diferentes países, incluindo iniciativas relacionadas a direitos humanos, justiça criminal e políticas de drogas.
Soros também aparece em uma discussão sobre influência econômica internacional no livro Guerra Irrestrita, publicado em 1999 pelos coronéis chineses Qiao Liang e Wang Xiangsui.
Na obra, os militares relacionam operações especulativas representadas pelo empresário ao que chamam de “terrorismo financeiro”.
O financiamento internacional das instituições brasileiras é documentado. Isso, porém, não comprova que os doadores controlem suas pesquisas ou determinem decisões governamentais.
É justamente essa relação que Antunes defende investigar com maior transparência.
Capitão defende lei para dar transparência à influência estrangeira
Antunes cita como exemplo os Estados Unidos, onde a legislação conhecida como FARA exige o registro de pessoas e organizações que exercem determinadas atividades em nome de interesses estrangeiros.
A lei permite conhecer quem representa esses interesses, quais atividades realiza e quais recursos estão envolvidos.
O recebimento de dinheiro estrangeiro, isoladamente, não gera obrigação automática de registro.
Para Antunes, o Brasil precisa discutir mecanismos semelhantes.
No livro O Front Interno, o policial aprofunda sua tese sobre como ideias produzidas nas universidades e difundidas por organizações podem influenciar a legislação e o Judiciário.
Sua denúncia não demonstra a existência de uma articulação coordenada entre os financiadores e o Estado brasileiro.
Mas apresenta uma questão concreta sobre transparência. Quando organizações financiadas do exterior participam da elaboração de políticas públicas, a sociedade deve poder identificar a origem dos recursos, os projetos apoiados e os objetivos estabelecidos.
É essa informação que permite avaliar se existe influência externa e quais efeitos ela realmente produz sobre a segurança pública brasileira.
O capitão Alexandre Antunes ministra o curso Front Interno: O Crime Organizado e Suas Frentes de Avanço, disponível no Núcleo de Formação da Brasil Paralelo.
Ele explica como o crime organizado atua em diferentes setores da sociedade e quais são os desafios para a segurança pública brasileira.
Assista ao curso completo no Núcleo de Formação da Brasil Paralelo.
Clique aqui e saiba como ter acesso.
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