Suspeito de narcotráfico, presidente da Suprema Corte da Bolívia foge do país e se diz perseguido
O governo o liga a um ex-procurador-geral preso por suspeita de envolvimento com o narcotráfico. Saucedo diz que “vão forjar provas” para desacreditá-lo.

O presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, anunciou nas redes sociais, na quarta-feira (4), que deixou o país com a família.
“Minha liberdade e a vida de toda a minha família correm perigo”.
Ele acusou o governo de Rodrigo Paz, de centro-direita, de usar a prisão preventiva contra quem discorda e de não hesitar em “contratar sicários e silenciar pessoas com a morte”.
Horas depois, veio a outra versão.
O procurador-geral interino, José Armando Urioste, informou que havia uma ordem de prisão contra Saucedo por tráfico de substâncias controladas e associação criminosa.
Segundo o jornal boliviano El Deber, a resolução é de terça-feira (3), um dia antes do anúncio do exílio.
A Procuradoria vai pedir alerta vermelho à Interpol. O paradeiro do juiz, de 38 anos, é desconhecido.
Segundo Urioste, ele entrou na Bolívia na terça, mas não há registro de saída. A suspeita é de que tenha deixado o país por terra.
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Ligação com ex-procurador acusado de narcotráfico
O caso se cruza com o de Roger Mariaca, ex-procurador-geral preso em outubro, um dia após os Estados Unidos revogarem seu visto. O governo americano o acusa de receber subornos “para facilitar o narcotráfico”.
O ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, disse que Saucedo e Mariaca eram muito amigos, “andavam juntos” e viviam juntos em Sucre.
“Provavelmente por isso ficou nervoso”, afirmou.
A ex-deputada Laura Rojas, em prisão domiciliar, depôs à Justiça na quinta-feira (5). Segundo o El Deber, ela afirmou que mais de 30 malas que entraram pelo aeroporto de Viru Viru e desapareceram eram de Saucedo.
A versão do juiz
Saucedo diz que “vão forjar provas” para desacreditá-lo. Afirma ainda que já incomodava o governo anterior, de Luis Arce (2020-2025), do MAS, de esquerda.
Citou o assassinato do magistrado Víctor Hugo Claure, morto a tiros em 30 de abril, caso ainda não esclarecido.
“Não quero que aconteça o mesmo comigo, por isso prefiro ir embora.”
Em Madri, Paz chamou a saída de “notícia penosa”, mas disse vê-la como “encorajadora para o futuro”.
A juíza Rosmery Ruiz assumiu a presidência do tribunal interinamente. Saucedo tem seis dias para se apresentar. Se não voltar, pode perder o cargo.
Eleito por voto popular em 2024, ele deixaria a presidência da corte em janeiro.
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