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Mundo•5 min de leitura

Congresso do Paraguai recusa renúncia do presidente e segue com processo de impeachment

A renúncia garantiria a Peña um assento vitalício no Senado e imunidade. O Congresso viu a manobra e decidiu continuar o julgamento.

Por
Gabriel Costa
•Publicado em
Palácio de López, sede do governo do Paraguai, em Assunção
Fonte da imagem: —

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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia do cargo. O Congresso do Paraguai não aceitou a decisão. Nesta quinta-feira (5), decidiu seguir com o processo de impeachment contra o presidente, mesmo depois de ele dizer que deixava o cargo.

Há um detalhe na Constituição paraguaia que fez os opositores tratarem o episódio como uma manobra política.

Quem deixa a Presidência vira senador vitalício, com foro privilegiado. Para os opositores, Peña queria ficar fora do alcance da Justiça comum nas suspeitas de crimes ligados à crise do Banco Ueno.

A mesma Constituição prevê uma exceção. O ex-presidente perde o foro se for julgado e considerado culpado em um processo de impeachment.

Foi esse artigo que deu ao Congresso base para continuar o julgamento, mesmo com Peña já fora do cargo.

Em comunicado, ele havia escrito que pensava “na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”.

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Renúncia em meio à investigação ao maior banco digital do país

Tudo o que está acontecendo no Paraguai envolve um banco. O Banco Ueno, o maior do país no segmento digital, foi declarado insolvente pelo Banco Central na segunda-feira (3).

Peña havia sido acionista da holding dona do banco até março de 2025.

A crise também derrubou o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que comandava a autoridade monetária desde 2023. Antes disso, ele próprio tinha presidido o Banco Ueno.

O Ministério Público paraguaio foi além e pediu a prisão de dois dirigentes da instituição, suspeitos de terem esvaziado o patrimônio do banco com empréstimos a empresas do mesmo grupo.

Trinta e cinco deputados assinaram o pedido de impeachment depois do colapso. Entre eles, parlamentares do próprio partido de Peña, o Colorado.

O Congresso também analisou um pedido de impeachment contra o vice-presidente, Pedro Alliana, e o rejeitou.

Na prática, isso abre caminho para Alliana assumir a Presidência enquanto o julgamento de Peña segue.

Colorado como o chefe, eleito na mesma chapa em 2023, ele já governou o departamento de Ñeembucú e passou dez anos na Câmara, que chegou a presidir.

O caso ainda ameaça a reputação do Paraguai como destino para investimentos estrangeiros, grande parte deles vinda do Brasil.

A Brasil Paralelo investigou o motivo para pessoas e empresas nacionais estarem atravessando a Ponte da Amizade para se fixarem no país. Assista completo abaixo:

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