Presidente americano tem usado ameaças como pilar central de sua política externa, inclusive para promover acordos de paz
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Trump declarou que pode acionar as Forças Armadas americanas para combater grupos jihadistas na Nigéria.
O presidente tem acusado o governo nigeriano de não proteger a minoria cristã e afirmou que os EUA não permitirão massacres no país.
Ele também ameaçou suspender ajuda financeira ao país africano e deixou claro que poderá tomar ações militares.
A Nigéria é considerada o lugar mais letal do mundo para os cristãos desde 2023. Cerca de 89% dos religiosos assassinados no mundo foram mortos lá, segundo dados da ONG Portas Abertas.
Os cristãos são vítimas de tensões étnicas e religiosas, principalmente ligadas a milícias da etinia Fulani, o Estado Islâmico e o Boko Hara.
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A forma como Trump tem lidado com a na Nigéria não é isolado. Trump tem utilizado o poder dos EUA para buscar os interesses externos de seu país e até selar a paz.
Ao contrário das abordagens tradicionais de apaziguamento, o presidente tem operado sob a lógica da dissuasão.
A estratégia tem sido mostrar capacidade de ação militar e econômica como forma de induzir adversários a aceitar acordos.
Ele estabeleceu um modelo em que os Estados Unidos adotam uma postura firme, utilizando poder militar, restrições econômicas e alianças estratégicas para abrir espaço para negociação.
A própria Casa Branca divulgou um documento no qual fala sobre casos em que a política de usar a força para negociar deu certo, o documento menciona questões como a libertação dos reféns do Hamas.
Antes do grupo terrorista aceitar devolver os reféns, Trump chegou a ameaçar “erradicar” o grupo caso o acordo de paz não fosse seguido.
Esse padrão de ação se encaixa na chamada “teoria do louco”, conceito atribuído originalmente ao presidente Richard Nixon.
O professor de Relações Internacionais na Universidade de Notre Dame, Michael Desch, comentou como o termo teria surgido em entrevista para a BBC:
"Em um determinado momento, Nixon disse ao seu Conselheiro de Segurança Nacional, Henry Kissinger: 'você deveria dizer aos negociadores norte-vietnamitas que Nixon é louco e você não sabe o que ele vai fazer, então é melhor chegar a um acordo antes que as coisas fiquem realmente loucas'".
A estratégia se baseia em demonstrar imprevisibilidade, ou até instabilidade, diante de cenários de tensão.
A incapacidade de prever as próximas ações do governo americano pode forçar adversários e até aliados a aceitarem termos favoráveis ao interesse dos EUA.
Isso porque não é claro o que o país estaria disposto a fazer para conseguir seus objetivos, essa incerteza faz com que as negociações pareçam mais arriscadas.
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