“Muitas vezes, os evangélicos são vistos como um bloco monolítico de práticas e crenças. Mas não podemos olhar para eles dessa forma”, revela pastor.

Para quem olha de fora, a palavra "evangélico" costuma passar a imagem de um grupo uniforme, como se todos pensassem e agissem da mesma forma. Mas essa percepção está longe da realidade.
Em entrevista exclusiva à Brasil Paralelo, o pastor Yago Martins explicou por que essa visão é um erro.
"Muitas vezes, os evangélicos são vistos como um bloco monolítico de práticas e crenças. Mas não podemos olhar para eles dessa forma, como se o termo 'evangélico' representasse uma única coisa. Na prática, dizer-se evangélico muitas vezes se resume a dizer que você não é católico".
Segundo Martins, o termo funciona quase como uma definição pela negativa, já que dizer-se evangélico costuma significar, antes de tudo, não pertencer a outra religião.
"Você está, basicamente, se definindo pela negativa: indica que participa de uma tradição pós-reformada, sob a influência da Reforma Protestante, mas que abriga uma diversidade muito grande de crenças periféricas. Os evangélicos são muitos, são plurais. É muito difícil reduzi-los a um único movimento se quisermos respeitar a sua real complexidade."
Essa pluralidade tem raízes históricas bem definidas.
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Tudo começa em 1517, na Alemanha, com a Reforma Protestante. Segundo o professor Jean Regina, ao expor suas 95 teses em Wittenberg, Martinho Lutero deu início a um debate que se espalhou rapidamente pela Europa.
Foi esse movimento que originou o que hoje é chamado de protestantismo histórico, base de igrejas como luteranas, batistas e presbiterianas.
Décadas depois, em 1906, surgiu nos Estados Unidos o pentecostalismo clássico, com o Avivamento da Rua Azusa.
O pastor Douglas Baptista explicou que a Assembleia de Deus, maior denominação pentecostal do Brasil, tem forte ligação com esse movimento.
Mas ele destaca que não é a única origem, já que um avivamento parecido também aconteceu entre batistas suecos em Chicago, na mesma época.
A partir do fim da década de 1970, veio o neopentecostalismo, marcado por megaigrejas e por uma presença forte nos meios de comunicação de massa, do rádio à televisão, e depois às redes digitais.
Por fim, existe uma base ainda mais ampla e menos visível desse universo: milhares de comunidades locais independentes, fundadas por líderes autônomos, sem vínculo com denominações históricas.
Apesar das diferenças profundas entre essas vertentes, Jean Regina resume o que as conecta.
"Nós somos todos evangélicos e nós somos todos protestantes, todos herdeiros dessa herança, herdeiros da reforma, herdeiros desse movimento que já começa no século 16 e vai tendo várias ondas diferentes."
Essas entrevistas estão dentro do novo documentário original da Brasil Paralelo, "O Brasil Evangélico".
A produção explora o desenvolvimento e o crescimento do segmento evangélico e como ele saiu dos templos e conquistou as principais esferas do poder.
Essa diversidade dentro do próprio movimento evangélico também é um dos temas explorados no documentário, disponível na plataforma de membros da Brasil Paralelo.
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