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Igreja Católica à beira de um novo cisma: papa Leão XIV faz um último apelo

Fraternidade São Pio X planeja ordenar quatro bispos sem autorização, ato que pode provocar a pena máxima da Igreja.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Papa Leão XIV
Fonte da imagem: Vatican Media

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A história da Igreja Católica é marcada por algumas rupturas. Essas divisões ficaram conhecidas como cismas, e uma nova parece estar a caminho.

Para evitar isso, o papa Leão XIV fez um último apelo à Fraternidade Sacerdotal São Pio X para tentar impedir uma nova ruptura.

O grupo anunciou que irá nomear quatro novos bispos sem autorização do papa nesta quarta-feira, 1º de julho. Para o Vaticano, o ato representa uma insubordinação direta e pode constituir um novo cisma.

Para pedir que o grupo não siga em frente, o papa escreveu uma carta ao superior-geral da Fraternidade, padre Davide Pagliarani.

O documento está datado de 29 de junho. A escolha da data carrega um simbolismo para os católicos, que celebram nesse dia São Pedro, considerado, segundo a tradição católica, o primeiro papa.

“Reconsiderai!”, escreveu Leão XIV.

Antes de advertir sobre as consequências, o Pontífice reconheceu elementos valorizados na Fraternidade, como o zelo e o desejo de fidelidade à tradição.

Leão XIV não trata o grupo como um inimigo externo, mas como uma comunidade que permanece em tensão grave com Roma.

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O que é a Fraternidade São Pio X?

A Fraternidade São Pio X foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre. O grupo se tornou conhecido pela defesa da liturgia na forma antiga, caracterizada pela celebração em latim e com o padre voltado para o oriente.

Além disso, ficou marcado por críticas às mudanças doutrinais e pastorais feitas pela Igreja a partir da década de 1960.

O grupo já ordenou bispos sem autorização

O conflito mais grave aconteceu em 1988, quando Lefebvre ordenou bispos sem autorização do papa João Paulo II.

O ato levou à excomunhão dos envolvidos, a penalidade mais grave aplicada pela Igreja, que exclui formalmente a pessoa da comunhão com a instituição e a impede de receber os sacramentos e participar ativamente da comunidade.

Em 2009, Bento XVI suspendeu a excomunhão dos bispos ordenados, em uma tentativa de reaproximação.

Agora, o Vaticano vê risco de repetição do mesmo movimento.

Por que ordenar bispos sem autorização é tão grave?

Na Igreja Católica, a ordenação de um bispo não é apenas uma cerimônia interna, nem uma simples nomeação para um cargo administrativo.

O bispo participa da sucessão apostólica, ou seja, da autoridade transmitida desde a época dos apóstolos de Jesus. Ele exerce autoridade sobre a vida sacramental e pastoral dos fiéis.

Por isso, a consagração episcopal sem mandato do papa é vista como um gesto de ruptura com a unidade da Igreja.

O papa já havia avisado ao grupo sobre o perigo de cisma

O Vaticano já havia afirmado que as novas consagrações seriam um ato cismático e resultariam em excomunhão automática dos envolvidos.

Na carta, Leão XIV concentra seu argumento no bem espiritual dos fiéis ligados à Fraternidade.

Segundo o Papa, uma ação cismática poderia privá-los da recepção lícita dos sacramentos e, em alguns casos, até da validade deles.

Leão XIV avisou que romper com Roma seria “rasgar a Túnica inconsútil de Cristo”. Tal terminologia faz alusão às vestimentas de Cristo, retratadas nas Escrituras como uma túnica tecida em peça única, tornando-se assim a representação máxima da integridade e coesão da Igreja.

O papa também afirmou que a Igreja continua aberta ao diálogo e ao entendimento. Ao mesmo tempo, deixou claro que a consagração de bispos sem autorização não pode ser tratada como um detalhe disciplinar.

A decisão agora está nas mãos da Fraternidade São Pio X. 

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Leia a carta do papa na íntegra

Ao Reverendo
Padre Davide Pagliarani
Superior Geral
da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

Com sentimentos paternos, desejo dirigir-me a Vossa Reverência e, por seu intermédio, aos bispos, sacerdotes, seminaristas e fiéis vinculados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, consciente da responsabilidade que o Senhor me confiou como Sucessor do Apóstolo Pedro.

A Igreja reconhece o apreço pela vida litúrgica, o empenho na formação sacerdotal, o zelo apostólico e o desejo de fidelidade à Tradição que caracterizam muitas pessoas e comunidades vinculadas a essa Fraternidade. Tudo isto motivou a atenção e a benevolência que os meus Predecessores vos manifestaram constantemente.

Neste espírito, e repleto de afeto cristão, peço-vos e suplico-vos do fundo do coração: Reconsiderai! Exorto-vos a ter em conta, com muita atenção, o bem espiritual dos fiéis, porque a ação cismática que cometeríeis privá-los-ia da recepção lícita e, nalguns casos, até mesmo válida dos Sacramentos que eles amam e procuram para a sua santificação.

A Igreja está disponível a um caminho de diálogo e de entendimento, que o Espírito Santo pode tornar possível e fecundo.

Rezo por vós, pois rasgar a Túnica inconsútil de Cristo é um pecado de extrema gravidade. Que o Senhor ilumine as vossas consciências e toque os vossos corações. Pela autoridade que recebi de Cristo, com o coração entristecido, mas ainda cheio de esperança, sinto o dever de vos pedir para desistirdes do vosso propósito, confiando estas intenções ao Coração Imaculado de Maria, Mãe do Bom Conselho.

Vaticano, 29 de junho de 2026

Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, Apóstolos

LEÃO PP. XIV

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